Esse blog pertence a todos os que amam o Marcus e sentem muita saudade. O espaço está aberto a aqueles(as)que viveram, conviveram e têm experiências para contar, para dividirmos juntos a alegria e o privilégio de termos estado com ele. Escrevam para a gente para que, juntos, possamos diminuir um pouco o imenso vazio que ele deixou. Contato e histórias para: marcusfeiodelemos@gmail.com
segunda-feira, 18 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Chegada do bebê, ou, como a Lena dizia: A cama quebrada
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| Lena e Cristina, março de 1968 |
A Lena contava esta história com uma cara muito fechada, de repreensão.
Ela retornava do hospital Getúlio Vargas, após o nascimento da filha menor, a Cristina.
Sempre que uma parturiente retorna para casa, são precisos alguns cuidados, especialmente no que toca à higiene e ao conforto da mulher.
Era difícil para a Lena lembrar, pois houve bastante sofrimento físico para ela nos partos dos dois filhos.
É natural que se tente manter a recém-chegada mais protegida, sem realizar muito esforço físico e acomodada sobre lugares macios, como sofás, camas e almofadas.
O que a Lena contava, e braba, é que a cama do casal havia sido quebrada meses antes do parto da nenê e que, ao sair para o parto, ela havia tinha pedido diretamente ao pai, o Mário Feio, que desse um jeito naquela cama.
Certamente ela imaginava que, quando voltasse, ele teria realizado essa – e outras tarefas – necessárias para o bem estar da família.
Bem, acontece que o Mário nunca teve essa formação específica e, na certa, criado desde pequeno em colégios internos, nunca viu como agia um verdadeiro chefe de família.
Para encurtar a nossa já pequena história, a Lena passou alguns dias hospitalizada e voltou com o novo bebê nos braços. Primeiro, passaram na casa da Sônia, onde o Marcus esperava a chegada da mãe e do irmão.
Na empolgação da sala da casa da Sônia, na Rua Morretes, a primeira surpresa: o Marcus e a Rose, a prima mais velha, filha da madrinha, corriam um atrás do outro, com um pedaço de pau de mais ou menos uns 70 cm na mão. Na perseguição, o Marcus tropeçou e caiu com o pedaço de madeira embaixo do queixo, que ficou ali, cravado na pele, pendurado quando ele se levantou...
Essa cicatriz permaneceu no queixo dele para sempre, e na alma da Lena também.
Quando ela terminava esse relato, ele levantava a cabeça e mostrava o risco que ficou ali, embaixo do maxilar. Nunca se soube o que ocorreu ali, se um tropeço ou um empurrão, mas o filho dela ficara marcado e era com isso que ela se importava, lógico.
E a cama quebrou
Passado o susto e atendida a emergência médica, a família, agora com quatro integrantes, retornou à casa, na Travessa Jaguarão, em que moravam.
Feliz pela chegada da mulher e do retorno da vida ao seu normal, o Mário nada disse à esposa sobre suas tarefas agendadas.
E foi assim que, após se acomodarem aqui e ali, ela sentou na beira da cama (como se vê na foto) para amamentar a nenê e descansar um pouquinho, após um dia exaustivo e cheio de novidades e, como vocês já devem estar antecipando, houve um barulho de estrondo e no minuto seguinte, a Lena caía sentada sobre a madeira da cama, que desabou inteira...
A cama quebrada se desmontou inteira, com a Lena em cima e a criança no colo.
Tendo de escolher entre se apoiar para não se bater ou segurar a nenê firme nos braços, a Lena – lógico – optou pelo segundo, e se machucou, bastante...
Não é preciso ser vidente para imaginar a bronca que o Mário Feio ouviu, né?
O Marcus? deve ter presenciado tudo, observando em silêncio essa lição.
Recordação de Aniversário do Alemão
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| Foto cedida ao blog do Marcus pela Tia Marli Pinheiro |
Esta foto veio dos alfarrábios da Tia Marli e mostra um momento da família do Saul Pinheiro, entre amigos, comemorando o aniversário do filho Sandro Dal Bosco Pinheiro.
Da esquerda para a direita: em pé, Tia Sônia (visão parcial do rosto), Vó Ecilda com a pequena Silvana Dal Bosco Pinheiro no colo.
Não consegui identificar as outras duas adultas em pé, mas imagino que a da direita, da qual temos a visão parcial de um casado rosa, seja a Magda, grande amiga da familia e madrinha do aniversariante.
E, das crianças, o Sandro em destaque, sempre muito bonito aquele Alemão, completando três anos (acho, pelo tamanho da Silvana) e, do lado dele, acho que é Letícia, filha da Magda e do Catarina (Carlinhos), padrinho do Sandro e grande amigo do Tio Saul, também.
O fotógrafo deve ter sido o próprio Saul, o mais versado nestas artes fotográficas, como já mencionamos antes aqui no blog do Marcus.
Imagino que o local do aniversário tenha sido o apartamento em que eles moraram, ali na Dom Diogo de Souza, rua da faculdade São Judas Tadeu, onde moraram nos primeiros anos das crianças.
Em Santo Ângelo
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| Catedral de Santo Ângelo, Praça Pinheiro Machado - Fonte: Santo Ângelo 302 anos de história |
Acho que ninguém(ou muito poucos)sabe(m)que a família do Marcus morou um tempo no interior do Estado, mais precisamente na Região das Missões, em Santo Ângelo.
Em razão de uma oferta de trabalho ao pai dele, Mário Feio de Lemos, a família toda se tocou de mala e cuia para essa distância: 459 km de Porto Alegre.
Aqui no Rio Grande do Sul, antes de ser advogado, o pai dele, Mário atuou na VARIG, na área de compras, na década de 60, como Representante da Indústria de Alimentos Quaker e, muitas vezes, como vendedor.
Éramos pequenos e muito pouca coisa eu lembro em uma sequência que tenha lógica para poder contar aqui...
Sobre a mudança para Santo Ângelo, o Mário Feio e a Lena foram primeiro e, segundo minha lembrança, ficamos aos cuidados da Vó Ecilda, pela primeira, última e única vez.
Quem conhece(u) a Maria Helena sabe, ela não tinha por hábito deixar os filhos pequenos com alguém para ir fazer alguma coisa, especialmente com a Vó, a quem ela nunca queria dar trabalho. Ela sempre levava os filhos junto, ou, em caso de não poder levá-los, simplesmente deixava de ir.
Depois de terem encaminhado tudo por lá, voltaram para nos buscar.
A viagem a Santo Ângelo
Recordo que embarcamos à noite em um fusca branco e que pegamos a estrada. O Marcus com cerca de 6 anos e eu com 3, mesmo vestidos e com calçados nos pés, ganhamos nossos travesseiros e uma coberta por cima. Assim, acomodados, pegamos no sono confortavelmente lado a lado, dormíamos boa parte da viagem deitados de todo o comprimento no banco de trás.
Duas coisas que mais marcaram aquela viagem, e outras que fizemos de Porto Alegre a Santo Ângelo, foram o tempo da viagem (uma eternidade!) e as marcas da terra vermelha nos vidros do fusca.
Quando chovia, então, o carro começava a derrapar e dançar a parte traseira, enquanto espirrava para todos os lados aquela massa vermelho. Essa era a visão que eu tinha da viagem: o vidro traseiro do fusca no fundo escuro da noite, e a camada grossa de barro vermelho do lado de fora.
Não sei muito bem o tempo que a família passou por lá, imagino que chegou a um ano, talvez um pouco mais.
Foi a única vez em que a família Feio de Lemos morou em uma casa tão bonita e tão grande. Era uma casa chique, com dois andares.
Mais do que isso: era uma bela casa com sacadas, jardim e pátio. Foi a oportunidade em que a Lena e o Mário puderam oferecer um quarto individual para cada um dos filhos.
Foi nessa fase da vida do Marcus que ele conheceu o amigo que mais marcou a infância dele, o Aramin. Marcou a tal ponto, que depois de adulto, pesquisou na internet e tornou a voltar a Santo Ângelo algumas vezes, em busca de retomar aquela amizade que ele prezava tanto. Sobre o Aramin e sobre esse encontro, vamos contar em outro momento.
| Foto da Lembrança Escolar do Marcus, tirada na Escola em Santo Ângelo, 1971 |
Neste, voltemos ao fato de que lá o Marcus iniciou a vida escolar. Lá ele vestiu o uniforme da escola pela primeira vez (foto) e, de lá ele tinha uma recordação que conto agora:
Como em todas as cidades pequenas, existia uma praça no centro. E em torno dessa praça, aos domingos, passeavam as famílias para sua distração. Passeavam a pé e bem vestidos os moradores, moradoras e crianças, alguns por ali até passeavam de carro.
O Marcus tinha uma lembrança muito forte desse período em que vivemos lá em Santo Ângelo.
Ele já era um menino e possuía o seu próprio círculo de amigos, frequentando o jardim de infância e achava legal também fazer aquele trotoir na praça, aos domingos, para ver e ser visto.
Do que ele nunca mais esqueceu, e quem conviveu com ele pode imaginar o quanto isso pode ter sido marcante, foi que, apenas durante aquele (curto) período, em toda a sua infância, que os passeios puderam ser a bordo de um carro.
Ele era um dos poucos guris que tinham carro e (olha só), ele me disse que tinha o maior orgulho de ver a mãe dirigindo! Achava chique ter uma mãe motorista, diferente das outras.
Foto: Santo Ângelo 302 anos de história
Foto da colunata da Catedral de Santo Ângelo, Praça Pinheiro Machado, de Ander Vaz
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
Feliz Aniversário, Marcus!
Se estivesse ainda como nós, aqui na Terra, o Marcus, neste 23 de junho de 2011, completaria 47 anos de idade. E, nestes dias de chuva e de calor abafado, fora de época, já teria arranjado algum lugar para pescar, reavivar as ideias e descansar a cabeça, sempre cheia de pensamentos e de planos.
Por isso, hoje, em homenagem a esse homem menino que nem sempre foi compreendido por quem o rodeava, fica essa foto com esse sorriso maroto de quem fisgou o maior peixe de todos, provavelmente o mais difícil.
Parabéns, Marcus. Muitas felicidades. Que Jesus te abençoe, hoje e sempre, onde quer que estejas, com certeza na companhia de espíritos de muita luz.
Nós, aqui da Terra, continuaremos a te amar, sempre, com carinho e com o tempero da saudade, que aumenta a cada dia.
Paz e luz, amigo, um dia daremos pessoalmente o abraço que tanto mereces, sentiremos o cheiro do teu perfume de perto enquanto ouviremos o teu riso pela nossa chegada.
Junho - 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
O preço da bicicleta
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| Marcus e a bicicleta |
Todo mundo que conviveu com o Marcus sabe que ele torcia pelo Grêmio. Sim, como está descrito no perfil, ele era Gremista, e fanático.
Sem precisar ir a jogos ou andar fardado, mas, acima de tudo, ele não gostava do Inter. Não do “Internacional”, e sim do Colorado e de colorados. Isso mais do que tudo.
Por essa razão, fica difícil a todos os amigos e amigas imaginarem que ele um dia foi colorado. Foi convencido e praticou essa arte durante algum tempo. Abanou bandeira, foi ao Beira-Rio e tomou refresco colorido vendido no campo em garrafinha de plástico (dessa eu sou testemunha ocular).
A história do “lado colorado do Marcus” é simples e fez parte da formação da personalidade dele.
Tudo começou quando ele, e a irmã, eram pequenos, e por influência do pai.
Até agora já contamos (neste blog) que o Mário Feio, movido pela paixão e por algo mais, se tocou de lá de Fortaleza para conhecer a Lena e que o resto de suas vidas passaram aqui no Sul.
Em consequencia desse gesto e das condições em que vivíamos, jamais tivemos contato com a família (ou com a história) do nosso pai., salvo raríssimas exceções, de uma visita nossa lá e de umas visitas de uns tios aqui e acolá.
E, como não poderia deixar de ser, o Marcus nasceu e cresceu um Feio de Lemos entre Pinheiros e se tornou mais Pinheiro do que ele próprio imaginava. Por essa e por outras razões, era torcedor gremista como a maior parte dos homens da família, embora o culto ao futebol fosse bem menor na época da infância dele.
Cabe lembrar que essa nossa história se passa no início da década de 70 e que foram anos duros para o Grêmio Foot-Ball Portoalegrense. O Inter, ou melhor, o Colorado ganhava todas, ano após ano. Se essas vitórias, uma trás da outra, especialmente sobre o Grêmio, eram uma desolação para qualquer gremista, também fez crescer uma legião de colorados e de novos colorados. Foi assim que o Mário Feio, Pai do Marcus, veio para o RS e se tornou torcedor do Colorado. Foi assim, também, que ele veio com toda a sorte de propostas e ofertas para que os filhos se tornassem colorados também.
Com a irmã não foi nada difícil, já nasceu colorada e nem sabia a diferença, na verdade (pobrezinha).
Teve até uma vez em que ela esteve frente a frente com o Figueroa e – epa essa é outra história...
Voltando a vaca fria... o pai do Marcus – e o Inter, com as suas vitórias - vinham fechando o cerco em torno da ideia de virar colorado (isso é possível??? hehehe, brincadeirinha). Até que o Marcus, acho que ali pelos 6 ou 7 anos, quis uma bicicleta.
A vida naqueles tempos não era muito fácil e as bicicletas eram presentes bastante especiais. Dignos de serem ofertadas em datas mais especiais ainda, como nos dias do Natal ou do aniversário. E custava caro. Mesmo.
Para uma criança dos anos 70, no Brasil, ganhar presentes era raro e a gente tinha de passar por algumas coisas como a fase um: pedir o presente, fase dois: convencer os pais da necessidade do presente ser aquele mesmo (ainda mais tão caro como esse) e pela incrível fase três: esperar, esperar e esperar (quase) uma eternidade até chegar essa data em que fosse possível ganhar o presente.
Como vocês já adivinharam, num dado momento, o pai do Marcus acabou aceitando dar a ele a bicicleta que ele tanto sonhava. Só que, em troca, o Marcus teria de ficar colorado, só que a parte de ficar colorado vinha imediatamente.
O novo colorado tinha de provar que o coração tinha ficado vermelho para então mostrar ao pai que fazia jus ao presente que lhe fora prometido.
O Marcus, por fim, viveu a sua fase de torcedor colorado. Vestiu camiseta e comemorou os gols. Juntos visitamos o Beira-Rio para uma partida do Inter contra não-sei-quem, num distante domingo dos primeiros anos daquela era vermelha.
Convencido, e feliz, o Mário Feio atendeu ao pedido, isto é, deu a bicicleta ao filho. O Marcus ganhou de presente a sua Monark, ou melhor, uma Monaretta “dobramatic” vermelha.
Pelo sorriso na foto, dá para perceber que é sobre essa bicicleta dos sonhos que ele está apoiando o braço.
O final da história é mais simples do que o começo: realizado com o presente e sem precisar mais agradar o pai para atingir o objetivo, o Marcus deixou de ser colorado e voltou a ser gremista, de imediato, sem nenhum peso na consciência pelo artifício.
Dali a alguns anos, conseguiu até mesmo ajuda para pintar a bicicleta e colocou, de uma vez por todas, bem longe de si a cor vermelha. Para sempre.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Em Caxias do Sul o Início da Linhagem dos Pinheiro
segunda-feira, 13 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
As vitrines das Lojas Renner do Passo D'areia
Para quem viveu a década de 70 na Zona Norte de Porto Alegre, havia uma atração diferente. Algo inacreditável para os dias de hoje, em que há acesso ilimitado às imagens coloridas, vindas de qualquer parte do mundo, todas ao alcance de um clic de mouse.
Aliás, nunca é demais salientar: havia muito menos oferta de desenhos animados, de programas de televisão, de filmes no cinema e, sobretudo, menos apelo de propaganda.
Eram as vitrines das Lojas Renner, localizada no Passo D'Areia, um atrativo que podia ser visto de graça, durante todos os dias do ano.
Sempre modificadas na chegada de cada estação do ano e, principalmente, antes das principais datas comemorativas, como o Dia da Criança, Natal, Dia das Mães, Páscoa e outras datas que, desde cedo, o comércio usa para marcar a cabeça das crianças.
As vitrines das Lojas Renner do Passo D'Areia, naquela época, eram uma profusão de cores e de efeitos que ninguém deixava de notar, de observar atentamente.
Havia grandes e largas vitrines, que iam de uma quadra a outra. Eram tão bonitas que não chamavam a atenção apenas das crianças. Os adultos – em especial as adultas, como a Lena e a Vera, mãe e tia do Marcus, quando o assunto estava bom, saiam à noite para caminhar ao redor da quadra e para ver de perto tantas cores e, não raro, bonecos em movimento em cenários coloridos.
As vitrines eram a principal atração daquele fim de curva da Assis Brasil, ali, na sequencia da rua, para quem vinha do Esporte Clube São José (Zequinha).
A Loja Renner era imensa naquela época, vendiam desde móveis e eletrodomésticos até roupas e brinquedos, ocupava vários andares.
As vitrines começavam nas laterais do prédio da loja, vinham desde as janelas ovais nas laterais da Rua Santa Catarina e da Rua Piauí, até os largos painéis de vidro em toda a parte da frente da quadra que ocupava o estabelecimento, com frente para a Assis Brasil.
Ali, havia um outro detalhe, inesquecível aos nosso olhos de criança: a loja possuía uma grande entrada na frente e mais à direita, uma entrada menor, entre as duas, na parte da frente da loja, as vitrines formavam um túnel, proporcionante um caminho de cores, de luzes e de brilho, que a gente nunca cansava de passar.
As luzes permaneciam acesas durante toda a noite e tornavam-se um atrativo especial, que podiam ser vistas de longe, mesmo das janelas das casas da “meia-lua”, que era o nome pelo qual chamávamos aquela praça em forma de meia-lua que fica defronte a loja e onde ficava a casa da D.Ecilda.
Essas imagens incríveis marcaram a infância de todos e acredito que não haja um dos primos, netos e netas da D. Ecilda e do Seu Joventino, que não possua a sua foto posando diante das vitrines das Lojas Renner do Passo D'areia. Essa na foto é a Cristina, fazendo a pose. O Marcus possui as dele, a Rose também. Acredito que até os primos de Caxias do Sul, tenham as suas.
Na segunda foto, a visão atual do prédio da Loja da Renner, em que funciona depósito e administração da empresa. Essas é a vista da lateral, para quem vem da Rua Santa Catarina e foi fotografada com carinho e saudade pelo Juarez (http://juarezfotografia.blogspot.com), o melhor amigo do Marcus, parceiro de muitas experiências e aventuras, e de quem, certamente, ainda vamos falar muito neste blog.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Insubmisso
Existe um detalhe muito bonito e romântico, que tive notícia aconteceu na vida dos nossos avós, Joventino e Ecilda. Era o início do século XX, muitos eventos acontecendo em todo o mundo e no Brasil não era diferente.
Se os brasileiros dos dias atuais conhecem pouco de seus direitos e de seus deveres, imaginem o que sabiam os das três primeiras décadas do século passado.
Dito isto, voltamos de novo no tempo e lembramos que o Vô Joventino e a Vó Ecilda se conheceram pelas mãos da Tia Rola e que acabaram se apaixonando e casando, lá em Caxias do Sul, nos anos 30.
Da história me faltam alguns detalhes, os quais prometo buscar mais a fundo com aqueles que souberem um pouco mais e prometo contar aqui, logo que possível.
Bem, se não há muito o que contar a respeito da "casca", passemos então ao "miolo", que é o que me trouxe até aqui: o Joventino, Vô Tinto, não era mais do que um guri quando se casou com a bonita mulher por quem se apaixonou.
Convém lembrar que o Exército Brasileiro era diferente e regido por regras que hoje pareceriam um tanto absurdas. Convém lembrar, também, que não era do conhecimento do Joventino que, aos dezoito anos de idade, deveria se apresentar a um posto do Exército e se alistar para o serviço militar obrigatório. Não sabia e nem nunca lhe foi dito.
Logo nos primeiro anos de vida em comum, os filhos foram chegando: o Raul, o Saul, a Sônia Maria... A Dona Ecilda trabalhava de sol a sol para prover a educação, a limpeza e o alimento de toda a trupe e o Seu Joventino batalhava com a armas que tinha, de homem da época, para o sustento da família.
Os anos, assim, se passaram e as coisas aconteceram de maneira bastante rápida: em um belo dia, o Jeep do exército encostou diante da casa dos Pinheiro e desceram uns homens uniformizados, trazendo nas mãos um papel que, segundo eles, mandava levarem consigo, preso, o Sr. Joventino "Zito" Pinheiro.
Apesar do pânico e do nervosismo da esposa e dos filhos, levaram preso o pai daquela família para que, segundo a lei, cumprisse a suas obrigações de brasileiro. Mesmo com filhos pequenos (e, se não me engano, com mais um a caminho), o Vô Tinto foi levado para o alistamento obrigatório, ou seja, foi preso e conduzido para servir ao Exército Brasileiro, na condição de "Insubmisso" por não ter se apresentado voluntariamente na idade devida.
Para agravar ainda mais a situação, foi prestar o seu serviço à pátria bem longe de casa.
Desse período doído e que deve ter sido extremamente sofrido a todos, há um registro muito bonito, que acompanha a família desde aquela época, uma verdadeira preciosidade: uma carta que o Joventino escreveu para a esposa Ecilda, enquanto estava no serviço militar.
O Vô Tinto e o Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul
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| O time do Juventude na década de 30. O segundo da fileira de trás, em pé e sem touca, é Joventino Zito Pinheiro, em Caxias do Sul |
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| Esporte Clube Juventude foi a primeira experiência do Joventino no mundo |
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| Da esquerda para a direita, o sexto homem, magro e retraído, Joventino Pinheiro, usando a touca que virou a sua marca registrada |
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Natal de 1961 na casa da Dona Ecilda e do Seu Joventino
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| Joventino, D. Ecilda, Rose no colo e Raul. O fotógrafo provavelmente fosse o Saul. |
Embalados pelas festividades de final de ano, o Natal na casa da Dona Ecilda reunia todos os filhos e filhas e, ainda, muitos amigos e amigas da família.
Os filhos e filhas que entravam na juventude já saíam para trabalhar e ajudar nas despesas da casa. Na foto, o Raul Pinheiro, o mais velho, que depois viria a se transferir para Caxias do Sul, ao lado da Dona Ecilda e do Seu Joventino.
A criança era a Rosemary, vestindo um vestido de festa, presenteado pela madrinha Maria Helena, apreciava, sem os sapatos, o carinho do colo da avó e a boneca nova que ganhou de Natal.
Ainda há mais um rosto no canto da direita, que pode ser da Lena, do Renato ou da Vera Regina Pinheiro, irmãos menores.
O fotógrafo desse e de muitos outros momentos na família, provavelmente fosse o Saul Pinheiro, o primeiro de todos a se familiarizar com a máquina fotográfica e que captou diversos eventos destas nossas histórias.
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O maninho que a Lena trouxe não era igual ao irmão do Gilson... ou, O nascimento da irmã do Marcus
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| Com uma semana de vida, Cristina, irmã do Marcus, com a cicatriz do parto no rosto. |
Chovia muito em Porto Alegre. A tempestade já durava o dia todo e a noite caía junto com as gotas daquela chuva. Da janela do hospital Getúlio Vargas, a Maria Helena olhava para a rua e pensava: “Será que esse nenê nasce hoje?”.
Ela já estava lá desde domingo, dia 24 e já era terça, 26 de março de 1968. Ela nunca tinha gostado muito de hospitais e, afinal de contas, o filho estava em casa, sozinho, apenas com o pai, e ela não não confiava muito nele para cuidar do Marcus por tanto tempo.
Naquela manhã, enquanto estava sozinha no quarto, ela sentiu um movimento na barriga. O nenê costumava se mexer, é claro. Todavia, aquele movimento era diferente dos anteriores. Ela sentiu que o nenê se movera de um lado para o outro. Ela sentiu e foi baixando os olhos assustada: era possível perceber que o nenê - e tudo o que o envolvia - estava do lado esquerdo, isto é, o lado direito da barriga acabava de ficar vazio. “Será que está tudo bem?” pensou.
Essa preocupação permaneceu o dia inteiro, assim como a chuva lá fora.
O trabalho de parto já durava algumas horas e a dor também, embora ela não tivesse se queixado às enfermeiras.
Quando o céu escureceu por completo, a dor se espalhou e quase a deixou inconsciente.
No fundo, a Lena sentia que a maior dor seria sofrer tudo aquilo de novo, como havia sofrido para ter o primeiro filho.
De repente percebeu que estava em movimento, uma voz de mulher dizia para ela que estavam indo para uma sala, no bloco cirúrgico, que ficava em um outro andar. Entraram no elevador a maca com a Lena em trabalho de parto e mais duas pessoas.
Neste momento, a escuridão que estava lá fora invadiu o prédio todo. Havia faltado luz no bairro, na rua, em tudo, inclusive no Hospital Getúlio Vargas e o elevador parou, ali mesmo, entre dois andares.
Havia ainda um outro problema que a Lena só ficaria sabendo depois: todo o andar da maternidade estava interditado para uso, devido a uma dedetização. A paciente estava sendo levada a um outro andar.
As rádios de Porto Alegre deram a notícia: parturiente presa no elevador por falta de luz no bairro Independência e pediam à empresa que retornasse a energia para poderem tirá-la de lá.
Enquanto a luz não retornava, as providências vinham sendo tomadas. Naquele meio andar, a porta foi forçada e ela carregada por muitas mãos e braços - entre eles os do marido - para uma outra maca, até chegar na sala em que aconteceria, finalmente, o parto.
Logo na entrada, ela viu o rosto que a deixou mais calma: o do doutor Davi Gerschmann. O doutor Davi era médico conhecido da família e já atendia os Pinheiro(s) de longa data.
A Lena então se acalmou e depositou toda sua esperança naquele homem.
A dor era lancinante e as contrações do parto iam e vinham, não havia mais o que fazer, o negócio era esperar até a criança nascer.
A dilatação era suficiente, porém, algo não permitia que a criança enfim chegasse.
Mais um imprevisto estava por acontecer: na sala improvisada, a mesa em que estava a Maria Helena, não resistiu e se desmontou.
Naqueles poucos milésimos de segundo, a cabeça do nenê ficou muito próxima do chão. A queda daquela altura e o choque dos quadris da Lena e da cabeça do nenê fatalmente tiraria a vida dos dois.
Distante dali, na casa da Sônia, o Marcus, sem saber que quase perdia a mãe e o futuro mano, brincava com a Rose, na sala do apartamento da Rua Morretes.
Como herói dessa história verdadeira, estava o reflexo salvador do médico, doutor Davi. Foi ele quem percebeu que a mesa desmontara e ele quem colocou o braço sob a maca, segurando firmemente o peso da Lena até que fossem socorridos.
Restituída a calma a todos os presentes, a Lena retomou a consciência de que algo estava por acontecer.
Foi então que, após muito esforço, fizeram uso do fórceps. A cabeça do nenê foi encaixada entre os dois lados daquele instrumento “bico de pato” e os movimentos de meia rotação tiveram início. Tentaram por mais de 45 minutos, indiferentes às dores da Maria Helena que acompanhava aquela agitação ao seu redor, obviamente sem anestesia.
E a experiência do médico novamente teve papel determinante. Ele sugeriu que o movimento de rotação se iniciasse para o outro lado. Foi assim que, em vez de forçar o giro com o fórceps até o movimento ser bloqueado, a rotação permitiu que o corpo da criança se alinhasse e a cabeça e os ombros do nenê pudessem sair daquela incômoda posição.
O relógio marcava oito horas e quarenta e cinco minutos da noite de 26 de março e no colo da Lena foi colocada uma criança, viva, saudável, com uma cicatriz do fórceps no lado direito do rosto, como uma queimadura.
Antes de pegar no sono de tanto cansaço, a Lena pôde perceber que havia dado a luz a uma menina.
sábado, 28 de maio de 2011
O Foto Nick e o Bebê fofo que era o Marcus
Quem era do bairro sabia: fotógrafo bom era aquele do fim da linha(do bonde), no IAPI. Mesmo aqueles que vieram depois, já na era dos filmes coloridos e das máquinas fotográficas KODAK que cabiam no bolso conseguiram conviver com ele. Aqui, em um dos cenários mais conhecidos da família Pinheiro e dos Feio de Lemos, está uma pose do Marcus, com 5 meses de vida, no Foto Nick. Sem me esforçar muito, consigo lembrar de mais uns 3 ou 4 primos fotografados nesse estúdio, vestindo as melhores roupas e captados em preto & branco, lembranças para a posteridade.
O irmão do Gilson
Naquela nossa primeira casa, o apartamento da Travessa Jaguarão, havia um vizinho, um menino, amigo do Marcus, que frequentava a casa e de quem ele gostava muito, o Gilson. Foi um amigo do qual guardou memórias pela vida toda.
Parceiro desde os primeiros dias e companheiro de brincadeiras, o Gilson foi alguém que eu não conheci, mas de quem o Marcus tinha recordações incríveis.
Aliás, o Gilson tinha um diferencial: um irmão menor.
Aí é que está o grande lance: o irmão do Gilson.
Esse irmão também vinha lá em casa e participava das coisas que eles faziam. O irmão do Gilson brincava junto com eles. Segundo lembrava, era muito legal.
Aí, o destino pregou uma peça no Marcus: a Lena engravidou.
Na foto está o Marcus, feliz - sem camisa - com uma bola nova no quarto e 3 anos e meio de idade, isto é, foi bem nesse periodo em que a história da gravidez da Lena entrou na vida dele.
As explicações que vieram foram tais que a ideia de que uma criança estava sendo gerada lá na barriga da própria mãe, foi bem recebida, dentro de uma grande expectativa.
No fim daquele verão, mais precisamente no dia 26 de março, a mãe foi levada ao hospital.
O Marcus lembrava muito bem dos dias em que a mãe foi “buscar o maninho” no hospital, pois foi uma das poucas vezes em que ele ficou sozinho em casa só com o pai, Mário Feio.
Alguns dias depois, ela voltou. Ver a Lena foi uma grande alegria.
Afinal, a mãe havia voltado, agora ele também teria um irmão para brincar e tudo voltaria a ser como era antes.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Festa na casa dos Pinheiro. Casamento da irmã mais velha da Lena, madrinha do Marcus
Na foto está a Maria Helena Pinheiro (a Lena, mãe do Marcus) no frescor dos seus 16 anos - só completaria 17 anos em outubro. Estão também o Rui e a namorada Clarice, que viria a ser sua esposa e mãe do Celso André Pinheiro, logo em seguida. Escondidos lá por dentro e tratando de atender a todos na festa estão o Seu Joventino e a Dona Ecilda, donos da casa e primeiros na linhagem.
E não dá para dizer que o Marcus não estava também trabalhando por aí, pois é sabido que os noivos tiveram sua residência na Rua Morretes, ali, bem na dobrada da esquina da Assis Brasil e foi ali, naquela sala e naquele sofá que o Marcus viria a ser encomendado...
terça-feira, 24 de maio de 2011
Soninho da tarde no apartamento da Travessa Jaguarão

Todo mundo sabe que o Marcus não gostava muito de dormir. Sempre pulou da cama cedo.
Cedo? Não.
Pulava da cama antes que o sol nascesse, de preferência. Marcar um encontro, um compromisso ou um horário com ele era ter a certeza de que ele chegaria uma hora antes, no mínimo.E já estaria bastante irritado quando alguém, não tão pontual, chegasse 10 ou 15 minutos depois da hora marcada...
Bem, o que vamos contar aqui e com essa foto do berço dele no apartamento da Travessa Jaguarão é sobre o soninho da tarde. É normal aos bebês dormirem bastante. Mesmo após os dois, três anos, um soninho para crescer é uma boa pedida.
O Marcus me contou, mais de uma vez, que a Lena – provavelmente bem cansada do serviço da casa – deitava com ele para o soninho da tarde.
Ele lembrava que a Lena pegava no sono, ele não. Talvez tivesse muita pressa para viver. Não dormia, ficava quietinho ali, ao lado dela, até ter certeza de que ela dormia mesmo.
Então, levantava devagar e ia até o parapeito da janela – do terceiro andar, acho – e sentava ali. Isso mesmo, sentava como se fosse um cavalo, uma perna para fora, outra para dentro e cavalgava sozinho, sonhando acordado com as pessoas que caminhavam lá fora, na calçada.
Quando a Lena estava se acordando, ele voltava para cama ou para o chão, para brincar, sozinho e em silêncio. A mãe nunca viu nada, nem suspeitava. O guri, no dia seguinte, fazia tudo de novo.
E o perigo ia aumentando.
Ele contava que um dia, no meio de toda essa aventura ligada à janela e ao seu cavalo imaginário, ele acabou pegando no sono. E descrevia o sonho como se tivesse acontecido ontem. Aliás, o Marcus tem (tinha) uma memória... O sonho que ele me contou era isso: ele saía da cama, sentava na janela e colocava a perna para fora, começava a cavalgar e... caía. Caía mesmo.
No sonho ele caía de um modo tão assustador que ele, mesmo criança, entendeu o recado do perigo que vinha correndo todas as tardes. E, segundo ele me contou, bem sério, nunca mais sentou na janela do terceiro andar para montar a cavalo enquanto a Lena dormia...
Pátio da casa da Vó, jogando bolinha de gude... Dá para ver o inhaque da Rose?
O Marcus foi o terceiro neto na linhagem dos Pinheiro. A primeira neta da Dona Ecilda foi a Rosemary Pinheiro Kern.
Foi a primeira que nasceu, em abril de 1961, filha da Sônia Maria Pinheiro Kern e do Osmar Kern. Era afilhada da Lena (mãe do Marcus) e teve de esperar três longos anos até que ele nascesse, em junho de 1964.
A Rosemary (e ela gosta de ser chamada de [rosemarí] assim, com acento no "i"), não foi apenas a primeira na cronologia. Era a primeira no coração da Dona Ecilda também... a queridinha da Vó, embora as duas negassem isso a vida toda...
Mas isso é outra história!
O segundo neto foi o Celso André Pinheiro, filho do Rui e da Clarice Pinheiro, mas a proximidade da casa da Lena ou a magia da casa dos avós, fez com que a presença dos filhos da Lena na casa da Dona Ecilda fosse muito mais frequente que a dos demais.
Era uma rotina simples a da Maria Helena nesta época: moravam no apartamento, ali na Travessa Jaguarão, no Passo D'Areia (a primeira casa do Marcus) e vinham cedo para a casa da vó. Iam pela rua a Lena e o Marcus, normalmente de calçãozinho curto, feito em casa, e sem camisa, a pé e de mãos dadas. O Marcus, segundo me contou a Lena, certa vez, quando passava por uma fruteira que ficava no caminho, sempre pedia "Mãe, dá uma maçã?"
Mas eram tempos difíceis. A Lena nunca tinha o dinheiro para comprar... e, se acaso tivesse, não poderia se dar a esse luxo.
Todos os dias. Daí, já viu, né?
Passar ali e explicar a situação para o pequeno Marcus que, acho, nunca esqueceu a importância de uma maçã. Uma vez ele me contou que lembrava perfeitamente disso e que ia embora pensando no gosto que deveria ter aquela fruta... aquela ali que ficava exposta.
A Lena contava que uma moça que trabalhava ali ficava na porta, olhando aquele bebê (lindo, segundo a mãe)passar sem camisa, todos os dias e ficava admirando o guri, que pedia - e não chorava quando ouvia um não. A moça chegou a apelidar o Marcus de "o homem que não usava camisa"...
Por fim chegavam lá no numero 911 da Assis Brasil e cenas como a da foto eram comuns. Na foto, a Rose e o Marcus jogam bolinha de gude no fundo da casa da vó. Ao fundo, como não poderia deixar de ser, uma casa de cachorro, uma presença constante lá e que nos acompanhou por toda a infância. Não sei quem era o cão dono da casa, vou precisar da ajuda dos mais velhos, ou "da mais velha", no caso, a Rose (hehehe).
Continua depois...
domingo, 15 de maio de 2011
A primeira viagem de avião da Lena e “Minestrone”
![]() |
| Avião bimotor Electra, da VARIG, levou a Lena até o seu destino |
Após a confirmação do convite e a garantia do amigo Beneamin* (sic) de que a casa do amigo Mário Feio em Fortaleza era a de uma família respeitável, a Lena se preparou para atravessar o país e viver a sua história de amor.
Trabalhou muito e gastou pouco durante meses, até juntar o dinheiro necessário para as passagens. Não sei dizer exatamente em que dia e em que mês do ano de 1963 foi a viagem, apenas sei que a Lena embarcou seus sonhos e toda a sua curiosidade em um avião bimotor da VARIG, um electra.
No caminho, como dissemos antes, houve uma descida no Aeroporto de Brasília.
Depois de algum tempo, os passageiros do Voo VARIG foram avisados de que, por razões técnicas, deveriam passar a noite em um hotel, às expensas da companhia, e tornar a embarcar novamente com destino a Fortaleza no dia seguinte.
Naquela época, a recém inaugurada Capital Federal estava ainda encoberta por terra vermelha e com a presença do exército nas obras, porém, esbanjava glamour e tudo era novidade.
Talvez tenha sido a primeira em vez que a Maria Helena Pinheiro dormiria em um hotel, ainda mais tão longe de casa.
Seguramente era a primeira vez em que estava hospedada em um quarto de hotel com tanto luxo.
Com todas as despesas pagas, a Lena se viu diante de uma situação inusitada: o cardápio para escolher o jantar.
Essa história ela me contou rindo muito.
Havia muita coisa escrita naquele menu, muitos nomes de pratos, a maioria em língua estrangeira.
Ela, claro, teve vergonha de perguntar o que eram. Leu uma, duas vezes o cardápio e encontrou escrita a palavra “Minestrone”.
Parou e pensou que era alguma coisa chique, boa de se comer, afinal. Chamou o garçom, uniformizado e formal e disse: “Para mim, Minestrone”.
O garçom retornou um tempo depois, tempo suficiente para a Lena, com fome, imaginar que coisa gostosa estaria saboreando dali a pouco.
Quando abriu a tampa sobre a bandeja, ela descobriu o que havia pedido e saboreou, sem outra alternativa, Minestrone, ou seja, sopa de feijão!
E a futura mãe do Marcus e da Cristina seguiu viagem para o Nordeste no dia seguinte, pronta para conhecer seu admirador das cartas e dar início a nossa história.
Lena deixou admiradores por aqui
Desprezando pretendentes por aqui, a Lena decidiu que era melhor viver o sonho e a curiosidade de se enamorar por alguém que não conhecia.
Por aqui havia alguns que ansiavam por um sorriso, um olhar mais demorado, qualquer coisa.
Na casa do seu Joventino e da dona Ecilda, circulavam rapazes de várias idades, “amigos dos guris”, como ela me dizia.
Namorados ela não teve muitos e nisso a Sônia poderá nos ajudar um dia. Registros temos muito poucos. Muitos permaneceram amigos a vida toda, outros nem tanto.
Dentre os amigos do Raul Pinheiro, havia um que nunca foi namorado, mas foi igualmente importante: além de se tornar amigo dela e da família toda - foi quem ensinou Contabilidade e o primeiro empregador da Lena, o Felipe (Idelmar Felipe Albrecht).
Dentre os amigos do Saul Pinheiro, dos quais eu sempre ouvi histórias a vida toda, estavam o Beneamin* (sic), o Iedo e o “Polaco”.
O Beneamin*(sic) foi o responsável pelo relacionamento.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
13 anos depois...
Na década de 70, quando a família Feio de Lemos morava na Rua Júlio Verne, o Mário Feio decidiu que a vida de marido, de pai de família e de viajante não exatamente era aquilo com o que ele havia sonhado desde "rapazote" (como ele diria). O fato é que ele se cansou de toda essa rotina enfadonha e, numa manhã do inverno, acordou, levou a filha menor, Cristina, ao Colégio Júlio Grau, para mais um dia no jardim de infância e seguiu para trabalhar.
E nunca mais voltou.
Nem para buscar suas roupas, nem para visitar os filhos, sequer para contar a sua versão da história.
Lembrando do Marcus e do seu jeito sisudo como pai, dá para imaginar o estrago que essa atitude fez na personalidade dele.
Aquele pai amigo, que inventava grandes empreitadas em construir minuciosamente as pandorgas, nas noites de verão, que assava um ou outro churrasco com a maior lentidão desse mundo e que enchia o prato de pimenta a cada refeição, se foi.
Não era uma viagem, das muitas que ele fez em toda a vida da família Feio de Lemos. Não era uma ausência pequena, nem um até logo. Foi um adeus, só que sem nenhuma despedida.
Num certo momento, quando o Marcus conversava comigo (na empresa que ele comandava, a SPASSO - essa é outra história), nos idos de 1991, comentou que foi essa a maior indignação dele com o Mário: o fato muito simples de ele não ter tido o cuidado de olhar na direção dele (filho) e ver o quanto isso afetaria a vida de um menino de 11 anos...
Não foi sem antes deixar a única e decisiva marca que nos perseguiu (a nós, os filhos do casal) durante anos. Numa discussão com a Lena, no calor do momento, entre muitos dos argumentos que ela tentava usar para dissuadí-lo de abandonar a família, ela perguntou: "Mas Mário, e as crianças?" e ele respondeu indignado "Bota num orfanato!".
Esse foi um dos - poucos - detalhes acerca do casamento de tantos anos que a Maria Helena contou para nós, ou para mim, pelo menos.
E esse é o relato da dolorosa separação do casal que se casou de modo tão pomposo em 1964.
Logicamente que a Vera deve saber muuuuuito mais, mas, por fidelidade, nunca nos contou.
A Sônia também deve saber mais. Todos souberam muito tempo depois.
A necessidade já havia entrado na casa da família, a fome e a falta de emprego - e de salário - vinham assombrando o casal há meses (anos talvez, eu nunca soube).
Os aluguéis da bela casa de dois quartos na Júlio Verne, com pátio, 2 cachorros e com vizinha nos fundos, estava atrasado há mais de 6 meses.
E dessa forma, com muita vergonha da situação de separada, a Maria Helena ganhou o mundo a procurar emprego, depois de mais de 12 anos sem trabalhar fora de casa.
Foi, saiu a pé. A pé e de chinelos de dedo da marca Havaianas (seu único calçado). Passou a sair todas as manhãs a procurar um sustento para os filhos e para colocar, como ela dizia anos depois "pelo menos um grão de arroz nas latas".
Sem roupas novas para melhorar a apresentação, carregando o peso de não contar toda a verdade a quem ela se apresentava, encontrou um modo de se sustentar. Primeiro, conseguiu umas "escritas contábeis" para fazer em casa, depois na Metalúrigca Aço Técnica (na Av. Polônia) e, depois, na Lideroil do Brasil Ltda. (primeiro na 7 de abril, depois na fábrica de Gravataí e na Santos Dumont, em Porto Alegre).
E nunca mais voltou.
Nem para buscar suas roupas, nem para visitar os filhos, sequer para contar a sua versão da história.
Lembrando do Marcus e do seu jeito sisudo como pai, dá para imaginar o estrago que essa atitude fez na personalidade dele.
Aquele pai amigo, que inventava grandes empreitadas em construir minuciosamente as pandorgas, nas noites de verão, que assava um ou outro churrasco com a maior lentidão desse mundo e que enchia o prato de pimenta a cada refeição, se foi.
Não era uma viagem, das muitas que ele fez em toda a vida da família Feio de Lemos. Não era uma ausência pequena, nem um até logo. Foi um adeus, só que sem nenhuma despedida.
Num certo momento, quando o Marcus conversava comigo (na empresa que ele comandava, a SPASSO - essa é outra história), nos idos de 1991, comentou que foi essa a maior indignação dele com o Mário: o fato muito simples de ele não ter tido o cuidado de olhar na direção dele (filho) e ver o quanto isso afetaria a vida de um menino de 11 anos...
Não foi sem antes deixar a única e decisiva marca que nos perseguiu (a nós, os filhos do casal) durante anos. Numa discussão com a Lena, no calor do momento, entre muitos dos argumentos que ela tentava usar para dissuadí-lo de abandonar a família, ela perguntou: "Mas Mário, e as crianças?" e ele respondeu indignado "Bota num orfanato!".
Esse foi um dos - poucos - detalhes acerca do casamento de tantos anos que a Maria Helena contou para nós, ou para mim, pelo menos.
E esse é o relato da dolorosa separação do casal que se casou de modo tão pomposo em 1964.
Logicamente que a Vera deve saber muuuuuito mais, mas, por fidelidade, nunca nos contou.
A Sônia também deve saber mais. Todos souberam muito tempo depois.
A necessidade já havia entrado na casa da família, a fome e a falta de emprego - e de salário - vinham assombrando o casal há meses (anos talvez, eu nunca soube).
Os aluguéis da bela casa de dois quartos na Júlio Verne, com pátio, 2 cachorros e com vizinha nos fundos, estava atrasado há mais de 6 meses.
E dessa forma, com muita vergonha da situação de separada, a Maria Helena ganhou o mundo a procurar emprego, depois de mais de 12 anos sem trabalhar fora de casa.
Foi, saiu a pé. A pé e de chinelos de dedo da marca Havaianas (seu único calçado). Passou a sair todas as manhãs a procurar um sustento para os filhos e para colocar, como ela dizia anos depois "pelo menos um grão de arroz nas latas".
Sem roupas novas para melhorar a apresentação, carregando o peso de não contar toda a verdade a quem ela se apresentava, encontrou um modo de se sustentar. Primeiro, conseguiu umas "escritas contábeis" para fazer em casa, depois na Metalúrigca Aço Técnica (na Av. Polônia) e, depois, na Lideroil do Brasil Ltda. (primeiro na 7 de abril, depois na fábrica de Gravataí e na Santos Dumont, em Porto Alegre).
quarta-feira, 11 de maio de 2011
História do bairro Passo D`Areia
PASSO D’AREIA Bairro da zona norte da cidade, faz limites com os bairros São João e Higienópolis ao sul, e Cristo Redentor ao norte. Foi delimitado e oficializado pela lei municipal nº 2022 de 07/12/1959.
A história do Passo d’Areia está ligada ao desenvolvimento industrial e à urbanização de Porto Alegre, que se expandiu para a Zona Norte da cidade. Até a década de 1940, a população do bairro era escassa, e havia poucas casas ao longo da antiga Estrada do Passo d’Areia (parte da atual avenida Assis Brasil).
No início do século XX, o desenvolvimento em ritmo lento era uma característica comum dos arrabaldes mais distantes do centro da cidade, sobretudo em função dos transportes, que eram puxados por tração animal.
A implantação do transporte coletivo no final do século XIX, cujo terminal era junto à Igreja São João, motivou a ocupação da região. Mas, foi a partir de 1941 que o povoamento do bairro tornou-se mais efetivo: alguns autores destacam a enchente ocorrida naquele ano, como elemento motivador da ocupação das áreas livres das cheias dos arroios que percorrem Porto Alegre.
A construção da Vila dos Industriários – IAPI – com início das obras em 1946, sem dúvida mudou a configuração do bairro, no que diz respeito à urbanização. Projeto moderno e inovador para época, o Conjunto Residencial do Passo d’Areia tinha por objetivo atender às demandas de moradia para os trabalhadores das indústrias. Construído em uma área de 67 hectares, o empreendimento aumentou bastante a população do bairro, além de trazer melhorias na infra-estrutura, como transportes, água, energia elétrica e coleta de lixo.
Quanto às associações, situa-se no bairro o tradicional Sport Club São José, fundado em 1913. Outra entidade de representação no bairro é a Escola de Samba da União da Vila do IAPI, considerada a mais simpática do carnaval porto-alegrense. A escola foi fundada em 1980, e contou, entre seus fundadores, com antigos participantes do grupo humorístico “Os Tesouras”, que agitava a festa carnavalesca, quando ela acontecia nas ruas do bairro. As opções de lazer na região são variadas: há praças arborizadas, cancha de bocha, quadra poli-desportiva, o Largo Elis Regina e o Estádio Alim Pedro, bastante freqüentado pelos jovens do bairro e arredores. Nos limites ao norte do Passo d’Areia, está o Shopping Center Iguatemi, inaugurado em 1983, bem como o Bourbon Country, inaugurado em 2001. Atualmente, o Passo d’Areia é uma zona independente do centro da cidade, numa mistura de características residenciais e comerciais, possuindo algumas indústrias e dispondo de comércio e serviços variados, como escolas de ensino fundamental, médio e superior, que atendem tanto os moradores do bairro como dos arredores.
Referências bibliográficas: FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: Guia Histórico. 2º edição. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1992. MAIA, Sandra. Escolas de Samba e tribos do carnaval de Porto Alegre. Prefeitura Municipal de Porto Alegre/SMC, 2001. NUNES, Marion Kruse et all. Vila do IAPI. Porto Alegre: Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 2000. (Memória dos Bairros) SANHUDO, Ary Veiga. Porto Alegre: Crônicas da Minha cidade. Porto Alegre: Editora Movimento/Instituto Estadual do Livro,1975.
Fonte: Observatório de Porto Alegre
A história do Passo d’Areia está ligada ao desenvolvimento industrial e à urbanização de Porto Alegre, que se expandiu para a Zona Norte da cidade. Até a década de 1940, a população do bairro era escassa, e havia poucas casas ao longo da antiga Estrada do Passo d’Areia (parte da atual avenida Assis Brasil).
No início do século XX, o desenvolvimento em ritmo lento era uma característica comum dos arrabaldes mais distantes do centro da cidade, sobretudo em função dos transportes, que eram puxados por tração animal.
A implantação do transporte coletivo no final do século XIX, cujo terminal era junto à Igreja São João, motivou a ocupação da região. Mas, foi a partir de 1941 que o povoamento do bairro tornou-se mais efetivo: alguns autores destacam a enchente ocorrida naquele ano, como elemento motivador da ocupação das áreas livres das cheias dos arroios que percorrem Porto Alegre.
A construção da Vila dos Industriários – IAPI – com início das obras em 1946, sem dúvida mudou a configuração do bairro, no que diz respeito à urbanização. Projeto moderno e inovador para época, o Conjunto Residencial do Passo d’Areia tinha por objetivo atender às demandas de moradia para os trabalhadores das indústrias. Construído em uma área de 67 hectares, o empreendimento aumentou bastante a população do bairro, além de trazer melhorias na infra-estrutura, como transportes, água, energia elétrica e coleta de lixo.
Quanto às associações, situa-se no bairro o tradicional Sport Club São José, fundado em 1913. Outra entidade de representação no bairro é a Escola de Samba da União da Vila do IAPI, considerada a mais simpática do carnaval porto-alegrense. A escola foi fundada em 1980, e contou, entre seus fundadores, com antigos participantes do grupo humorístico “Os Tesouras”, que agitava a festa carnavalesca, quando ela acontecia nas ruas do bairro. As opções de lazer na região são variadas: há praças arborizadas, cancha de bocha, quadra poli-desportiva, o Largo Elis Regina e o Estádio Alim Pedro, bastante freqüentado pelos jovens do bairro e arredores. Nos limites ao norte do Passo d’Areia, está o Shopping Center Iguatemi, inaugurado em 1983, bem como o Bourbon Country, inaugurado em 2001. Atualmente, o Passo d’Areia é uma zona independente do centro da cidade, numa mistura de características residenciais e comerciais, possuindo algumas indústrias e dispondo de comércio e serviços variados, como escolas de ensino fundamental, médio e superior, que atendem tanto os moradores do bairro como dos arredores.
Referências bibliográficas: FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: Guia Histórico. 2º edição. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1992. MAIA, Sandra. Escolas de Samba e tribos do carnaval de Porto Alegre. Prefeitura Municipal de Porto Alegre/SMC, 2001. NUNES, Marion Kruse et all. Vila do IAPI. Porto Alegre: Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 2000. (Memória dos Bairros) SANHUDO, Ary Veiga. Porto Alegre: Crônicas da Minha cidade. Porto Alegre: Editora Movimento/Instituto Estadual do Livro,1975.
Fonte: Observatório de Porto Alegre
domingo, 8 de maio de 2011
Em 23 de Junho de 1964, nascia o Marcus
| Marcus com um aninho, da Foto Nick, ali no fim da linha do bonde |
Gostava tanto que mandou fazer o negativo a partir de um poster e reproduziu muitas vezes. Estava em quase todas as pastas e recordações dele sobre a infância. Não há muitas fotos do Marcus nenê e dessa primeira fase da vida. Fotos eram coisas caras, que exigiam a posse de uma máquina, dinheiro para o filme e, como se não bastasse, ainda mais um pouco de dinheiro para a revelação. Dessa primeira infância e, em ocasiões especiais, quase todos os nenês da familia nesta época tinham as suas fotos batidas ali no"fim da linha", como se chamava aquele recanto do bairro lá na vó. O fim da linha do bonde, no prédio que fica no encontro da Rua Brasiliano Índio de Moraes com a sequência da Assis Brasil e a Emílio Lúcio Esteves. É, isso mesmo, ali no prédio onde depois abriu o "Dália" (posto de revenda de fiambres da Cooperativa Languiru). A gente subia a escadinha e chegava no fotógrafo mais popular na família.
O fato é que ele era uma criança muito bonita. Segundo a Lena, ele era lindo. Lindo e sério. Reservado, como seria em quase toda a sua vida.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
A casa dos Pinheiro em Porto Alegre
Um dos capítulos marcantes da história do Marcus e de toda a família, se passa, sem dúvida, na casa da foto, na Avenida Assis Brasil nº 911.
Vindos de Caxias do Sul e indo morar em um primeiro momento lá na São Manoel, perto da Veador Porto e do Colégio Apeles Porto Alegre (onde a Lena iniciou os estudos), a família veio para a Zona Norte.
Cabe ressaltar que, naquela época, no início da década de 50, o então Presidente Getúlio Vargas deu início a um loteamento de casas e de apartamentos para moradia de trabalhadores - a Vila IAPI. Nosso avô, Joventino Pinheiro, com muitos filhos (foram 9 no total) em conversa com o cadastramento para se candidatar às casas, recebeu informação de que aquela, a de número 911, havia sido o protótipo, ou seja, o modelo de construção para todas as outras da vila, com o porém de que, segundo o rapaz, não havia previsão de garagem, na prática, nenhuma entrada para carros. Meu avô reagiu rapidamente: "Eu nunca vou ter carro mesmo".
E assim recebeu suas chaves da casa, pelo critério incrível nos dias de hoje: devido ao número de filhos que possuía. Aquela casa maravilhosa, com uma metragem lateral que beirava os 50 metros e onde muitas histórias podem e virão a ser contadas por aqui, entrou na família dos Pinheiro.
Na foto, já envelhecidos, estão a D. Ecilda, o seu Joventino e o mais famoso mascote da família, o Banzé. Sobre esse cão na vida do Marcus, contaremos várias histórias neste blog.
Vindos de Caxias do Sul e indo morar em um primeiro momento lá na São Manoel, perto da Veador Porto e do Colégio Apeles Porto Alegre (onde a Lena iniciou os estudos), a família veio para a Zona Norte.
Cabe ressaltar que, naquela época, no início da década de 50, o então Presidente Getúlio Vargas deu início a um loteamento de casas e de apartamentos para moradia de trabalhadores - a Vila IAPI. Nosso avô, Joventino Pinheiro, com muitos filhos (foram 9 no total) em conversa com o cadastramento para se candidatar às casas, recebeu informação de que aquela, a de número 911, havia sido o protótipo, ou seja, o modelo de construção para todas as outras da vila, com o porém de que, segundo o rapaz, não havia previsão de garagem, na prática, nenhuma entrada para carros. Meu avô reagiu rapidamente: "Eu nunca vou ter carro mesmo".
E assim recebeu suas chaves da casa, pelo critério incrível nos dias de hoje: devido ao número de filhos que possuía. Aquela casa maravilhosa, com uma metragem lateral que beirava os 50 metros e onde muitas histórias podem e virão a ser contadas por aqui, entrou na família dos Pinheiro.
Na foto, já envelhecidos, estão a D. Ecilda, o seu Joventino e o mais famoso mascote da família, o Banzé. Sobre esse cão na vida do Marcus, contaremos várias histórias neste blog.
O primeiro encontro da Lena e do Mário, em Fortaleza
Uma vez o Mário Feio de Lemos (também meu pai) me relatou o primeiro encontro pessoal que ele teve com a Lena, Maria Helena Pinheiro. Como vocês já sabem, ele morava em Fortaleza, a Lena morava aqui, no IAPI, na Av. Assis Brasil, 911, Porto Alegre.
Após algumas cartas, surgiu a oportunidade de viajar ao Nordeste e lá foi a Lena, com uma curiosidade imensa no peito e muita vontade de ver o mundo. Voou via VARIG, com escala em Brasília, capital recém inaugurada do Brasil (esta aqui rende uma outra história) e desceu no Aeroporto de Fortaleza, onde embarcou em um carro, se não me engano, um Aero Willys 1963, o "carrão" da época, segundo ele.
Com a cara mais sem vergonha do mundo, ele me contou que, quando a porta se abriu toda e a Lena - de vestido e bem acinturado - se virou para descer, entre os tecidos ele teve uma "visão do paraíso" (palavras dele), ou seja, viu a beleza das pernas e entreviu um pouco as coxas da Maria Helena.
Nesse momento, ele contou com os olhos brilhando e sem arrependimento, ele decidiu que queria "que ela fosse dele".
Porém, com uma coisa simples o Mário não contava: para isso, só casando!
Ocorre que, para que isso acontecesse, seria necessário muito esforço da parte dele. Nosso pai estava acostumado a uma vida de playboy, filho da D. Christal (agora viúva) e do Sr. Wilson Fonseca (não tenho bem certeza), gastando bastante dinheiro e sem maiores preocupações.
Bem, o fato é que, se algum rapaz quisesse "ter" uma das filhas do Joventino Pinheiro, ilustre (e humilde) trabalhador da Empresa Zivi Hércules, teria sim de sair de sua confortável situação e vir até o Sul pedir a moça em casamento.
E foi assim que ele fez. Depois de muitas cartas e de muitas promessas no papel, ele teve de voar até Porto Alegre para dizer ao seu Joventino o que queria.
Após algumas cartas, surgiu a oportunidade de viajar ao Nordeste e lá foi a Lena, com uma curiosidade imensa no peito e muita vontade de ver o mundo. Voou via VARIG, com escala em Brasília, capital recém inaugurada do Brasil (esta aqui rende uma outra história) e desceu no Aeroporto de Fortaleza, onde embarcou em um carro, se não me engano, um Aero Willys 1963, o "carrão" da época, segundo ele.
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| Um aero willys 1963 trouxe a Lena até a casa do Mário, em Fortaleza |
Nesse momento, ele contou com os olhos brilhando e sem arrependimento, ele decidiu que queria "que ela fosse dele".
Porém, com uma coisa simples o Mário não contava: para isso, só casando!
Ocorre que, para que isso acontecesse, seria necessário muito esforço da parte dele. Nosso pai estava acostumado a uma vida de playboy, filho da D. Christal (agora viúva) e do Sr. Wilson Fonseca (não tenho bem certeza), gastando bastante dinheiro e sem maiores preocupações.
Bem, o fato é que, se algum rapaz quisesse "ter" uma das filhas do Joventino Pinheiro, ilustre (e humilde) trabalhador da Empresa Zivi Hércules, teria sim de sair de sua confortável situação e vir até o Sul pedir a moça em casamento.
E foi assim que ele fez. Depois de muitas cartas e de muitas promessas no papel, ele teve de voar até Porto Alegre para dizer ao seu Joventino o que queria.
domingo, 1 de maio de 2011
O começo de tudo...
Este é o começo da história e começa alguns anos antes do Marcus nascer. Conta um pouco da (nossa) história e dos movimentos que o universo fez para que o Marcus nascesse.
Maria Helena Pinheiro, a irmã do meio dos 9 filhos da Dona Ecilda Flores Pinheiro e do Seu Joventino "Zito" Pinheiro era jovem e bonita. Comos os demais irmãos, 6 homens (Raul Pinheiro, Saul Pinheiro, Rui Pinheiro, José Jones Pinheiro, Roberto Pinheiro e Renato Pinheiro) e 2 mulheres (Sônia Maria Pinheiro e Vera Regina Pinheiro), trabalhou desde guria. Aos 13 anos, a Lena já trabalhava no escritório de Contabilidade do Idelmar Felipe Albrecht, na esquina da Avenida Brasil com a Benjamin Constant.
O ano era 1963 e, numa das visitas do Mário Feio ao Rio Grande do Sul, mais precisamente no apartamento da Morretes onde moravam a Sônia, o Osmar e a Rosemary (aqui também rende uma oooooutra história), ficou traçado o destino da Lena e do Mário e, num encontro mais tórrido, Deus disse: FIAT MARCUS.
| Mário Feio de Lemos, aquele que viria a ser o Pai do Marcus |
Maria Helena Pinheiro, a irmã do meio dos 9 filhos da Dona Ecilda Flores Pinheiro e do Seu Joventino "Zito" Pinheiro era jovem e bonita. Comos os demais irmãos, 6 homens (Raul Pinheiro, Saul Pinheiro, Rui Pinheiro, José Jones Pinheiro, Roberto Pinheiro e Renato Pinheiro) e 2 mulheres (Sônia Maria Pinheiro e Vera Regina Pinheiro), trabalhou desde guria. Aos 13 anos, a Lena já trabalhava no escritório de Contabilidade do Idelmar Felipe Albrecht, na esquina da Avenida Brasil com a Benjamin Constant.
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| Maria Helena, aqui com 13 anos, um dia viria a ser a Mãe do Marcus |
Dentre aqueles que frequentavam a casa da Dona Ecilda, estava um grande amigo do Saul, funcionário da VARIG, Beneamin *(sic), o qual viajava pelo país e trazia histórias para contar. Numa dessas andanças pelo Nordeste, mais precisamente em Fortaleza, no Ceará, conheceu um rapaz de vinte e poucos anos, filho de Christalina Lemos e de Mário Feio de Lemos, aquele que viria a ser o pai do Marcus um dia, Mário Feio de Lemos Júnior.
Uma vez estimulada a curiosidade dos dois jovens a respeito de um e do outro, passaram a se corresponder e, da troca de cartas, veio a necessidade de se conhecer. Assim, das economias da Lena saiu a passagem aérea até Fortaleza (embarcada no duas hélices Elektra - mas essa é outra historia) e, mesmo tendo nascido em diferentes extremos do país, iniciaram o namoro.O ano era 1963 e, numa das visitas do Mário Feio ao Rio Grande do Sul, mais precisamente no apartamento da Morretes onde moravam a Sônia, o Osmar e a Rosemary (aqui também rende uma oooooutra história), ficou traçado o destino da Lena e do Mário e, num encontro mais tórrido, Deus disse: FIAT MARCUS.
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