Esse blog pertence a todos os que amam o Marcus e sentem muita saudade. O espaço está aberto a aqueles(as)que viveram, conviveram e têm experiências para contar, para dividirmos juntos a alegria e o privilégio de termos estado com ele. Escrevam para a gente para que, juntos, possamos diminuir um pouco o imenso vazio que ele deixou. Contato e histórias para: marcusfeiodelemos@gmail.com
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012
O Aramin
Quem conviveu alguns anos com o Marcus sabe que uma das marcas da personalidade dele era a capacidade de alimentar admirações secretas por pessoas. Ele trazia alguns segredos no peito.
Nunca falava abertamente, porém, algumas pessoas ele realmente admirava de maneira quase que icônica.
Uma dessas pessoas era o Aramin. Um menino que o Marcus conheceu na infância, na cidade de Santo Ângelo e fez parte do imaginário dele por toda a vida.
Pelo que lembro, puxando pela memória, o Aramin regulava de idade com o Marcus e morava no mesmo bairro, naquela cidade de terra vermelha, no início dos anos 70.
Ele era de uma família pobre, de tal maneira, que o Marcus ficou impressionado com a simplicidade em que viviam. Lembro que a Lena também comentou algumas vezes de coisas que eles viram e viveram no convívio com aquela família.
Especialmente, na minha memória de criança, ficou registrado que, por vezes, a família toda só possuía feijão para comer e que as roupas, bastante lavadas, eram poucas e simples. Lembro de que também não havia calçados e que, na época, como a casa em que morávamos era alugada na cidade, a sensação era a de que tínhamos demais, diante de tão pouco.
O Marcus memorizou algumas frases e algumas “saídas” do Aramin e passou a vida toda (mesmo) recitando, aqui e ali, aquela sabedoria de criança e de seu sofrimento infantil.
Ele guardava em si o sonho de voltar lá e buscar o Aramin, que havia muitas vezes manifestado o desejo de vir morar conosco e de sair de lá. Lembro até de uns comentários da Lena sobre a mãe dele até ter tido a vontade de “dá-lo” para a gente, para vir embora para Porto Alegre.
Passados 30 anos, lá por 2005 ou 2006, em uma conversa com o Marcus, lembro que perguntei pelo Aramin, já que a internet e as redes nos fazem achar (quase) todo mundo.
O Marcus ficou pensativo e disse que, depois de muitos anos passados, havia voltado até Santo Ângelo, com o endereço de memória (e que memória!) e procurou até encontrar a casa da família.
Sem surpresa, encontrou a família e localizou o Aramin, amigo querido de seu imaginário de infância.
Todavia, pelo que ele me passou, o carinho e a admiração que ele guardou por tantos anos – como aconteceu muitas vezes com o Marcus – não foi entendido do lado de lá.
Assim, por forças conjunturais da sociedade e da desigual luta de classes, o menino pobre que ele havia conhecido, tornou-se um jovem remediado, que virou homem ressentido de tantas privações. Esse homem não entendia o porquê daquele contato de um homem”rico”, a não ser que pudesse auferir alguma coisa.
O Marcus, bastante decepcionado, não demonstrou ao antigo menino o que o seu coração guardava e, pelo que ele deu a entender, nunca mais procurou o seu melhor amigo.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Feliz Ano Novo! Viva a Bom Gosto!
No início dos anos 80, o Marcus deu a grande virada da vida dele. Trabalhava desde os 13 anos e estudava à noite (estas histórias, relacionadas ao início da vida profissional do Marcus, contaremos depois nesse blog).
Já havia concluído o segundo grau (era assim que se chamava o Ensino Médio)e pegava o ônibus todos os dias para cumprir expediente na empresa Pampa, Exportadora e Importadora, ali na Farrapos, quase esquina Sertório. Aliás, ele enchia a boa para dizer o nome da empresa, orgulhoso que era de trabalhar num lugar grande e luxuoso (para os nossos padrões).
Havia começado a se vestir melhor e a conviver com outros tipos de pessoas, na rotina do escritório. Foi nessa empresa que começou a ganhar os primeiros "tickets restaurante" para alimentação de que se teve notícia na nossa família.
Na época, eram "coupons" e, sinceramente, representavam muita grana para a gente.
A verdade era a de que ele fez um exame médico antes de ingressar na empresa e ficou sabendo que tinha um sopro no coração. a partir daí, passou a seguir alguns conselhos do cardiologista e deu início a uma das primeiras dietas de que me lembro na nossa família. Assim, a Lena cozinhava toda a comida dele, separava as saladas e frutas e montava a vianda que ele levava todas as manhãs.
Mas aí todo mundo pensa: e o Coupon Restaurante, cadê? Bem, como vocês que conheciam o Marcus devem imaginar, ele economizava bastante.
Segurava os tickets o mês todo e, ao final, juntava tudo e saíamos todos para jantar fora. Era uma verdadeira curtição em família.
Ah, nas viandas do Marcus que a Lena arrumava, lembro de um detalhe interessante, coisa de mãe, mesmo. Para que a salada de folhas frescas e tomate (sempre) não murchasse, a Lena fazia um molhinho com os temperos que ele gostava: sal, vinagre e azeite, colocava num tubinho pequeno (de remédio homeopático em bolinhas que sempre tinha lá em casa) e acondicionava bem no canto da vianda. Quando ele ia esquentar a comida e fazer a refeição, podia apenas sacudir e misturar os ingredientes e despejar na salada, recém-temperada, ao gosto dele. Legal, né? Desse jeito ele comia certo e a gente ainda podia comemorar no final do mês saindo todos juntos.
Foi a partir desse momento e daí para sempre, que o Marcus foi apresentado a restaurantes. O primeiro e mais duradouro, foi a churrascaria "Bom Gosto".
Desde a primeira refeição que o Marcus fez lá, numa festa de colegas da Pampa, ele não parou mais de retornar, como todo bom canceriano, fiel aos seus gostos.
Quem conviveu com o Marcus e teve a honra de ser convidado alguma vez por ele para ir jantar, pôde ver como ele cresceu e viveu como cliente vip daquela churrascaria, localizada na Rua Dr. João Inácio, 905 ou 917, Zona Norte de Porto Alegre.
Já havia concluído o segundo grau (era assim que se chamava o Ensino Médio)e pegava o ônibus todos os dias para cumprir expediente na empresa Pampa, Exportadora e Importadora, ali na Farrapos, quase esquina Sertório. Aliás, ele enchia a boa para dizer o nome da empresa, orgulhoso que era de trabalhar num lugar grande e luxuoso (para os nossos padrões).
Havia começado a se vestir melhor e a conviver com outros tipos de pessoas, na rotina do escritório. Foi nessa empresa que começou a ganhar os primeiros "tickets restaurante" para alimentação de que se teve notícia na nossa família.
Na época, eram "coupons" e, sinceramente, representavam muita grana para a gente.
A verdade era a de que ele fez um exame médico antes de ingressar na empresa e ficou sabendo que tinha um sopro no coração. a partir daí, passou a seguir alguns conselhos do cardiologista e deu início a uma das primeiras dietas de que me lembro na nossa família. Assim, a Lena cozinhava toda a comida dele, separava as saladas e frutas e montava a vianda que ele levava todas as manhãs.
Mas aí todo mundo pensa: e o Coupon Restaurante, cadê? Bem, como vocês que conheciam o Marcus devem imaginar, ele economizava bastante.
Segurava os tickets o mês todo e, ao final, juntava tudo e saíamos todos para jantar fora. Era uma verdadeira curtição em família.
Ah, nas viandas do Marcus que a Lena arrumava, lembro de um detalhe interessante, coisa de mãe, mesmo. Para que a salada de folhas frescas e tomate (sempre) não murchasse, a Lena fazia um molhinho com os temperos que ele gostava: sal, vinagre e azeite, colocava num tubinho pequeno (de remédio homeopático em bolinhas que sempre tinha lá em casa) e acondicionava bem no canto da vianda. Quando ele ia esquentar a comida e fazer a refeição, podia apenas sacudir e misturar os ingredientes e despejar na salada, recém-temperada, ao gosto dele. Legal, né? Desse jeito ele comia certo e a gente ainda podia comemorar no final do mês saindo todos juntos.
Foi a partir desse momento e daí para sempre, que o Marcus foi apresentado a restaurantes. O primeiro e mais duradouro, foi a churrascaria "Bom Gosto".
Desde a primeira refeição que o Marcus fez lá, numa festa de colegas da Pampa, ele não parou mais de retornar, como todo bom canceriano, fiel aos seus gostos.
Quem conviveu com o Marcus e teve a honra de ser convidado alguma vez por ele para ir jantar, pôde ver como ele cresceu e viveu como cliente vip daquela churrascaria, localizada na Rua Dr. João Inácio, 905 ou 917, Zona Norte de Porto Alegre.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Marcus presenteava com cartões de Natal
"Quando nos lembramos das flores,
Das ervas-daninhas nos esquecemos;
Quando nos lembramos das bênçãos,
Das necessidades nos esquecemos;
Quando nos lembramos dos risos,
Das lágrimas nos esquecemos;
Quando nos lembramos dos momentos felizes,
Do tempo nos esquecemos...
Feliz Natal! Venturoso Ano Novo!
São os votos de seu filho
Marcus F Lemos
Natal - 1977
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Lena visita o Ceará e conheceu aquele que viria a ser o pai do Marcus
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Feliz Aniversário, Renato Pinheiro!
Esse guri bonito sorrindo em frente à casa da família, na Avenida Assis Brasil, 911, no IAPI, é o Renato. Feliz e brincalhão, sempre anima quem está em volta e deixa saudade por onde passa. Aliás, já faz um tempo que queremos que ele passe por aqui, mas a coisa está difícil. Na foto, não parece ainda, porém esse menino é do mundo e adora a estrada.
Feliz Aniversário, tiozão amigo que marcou bastante a vida do Marcus.
Precisamos conversar para refrescar a memória e colocar algumas postagens de histórias bem cabeludas aqui no blog.
Por enquanto, meu querido, desejo(amos) um Feliz Aniversário e muita paz para esse coração agitado e sempre pronto a se (re)apaixonar!
Te amamos, eterno guri!
Porto Alegre, 18 de outubro de 2011.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Nasce o cachorro mais famoso da família Pinheiro: o BANZÉ
Não esperem conhecer aqui apenas uma história de cachorro, pois o Banzé não era apenas um canino. Ele era o cachorro da Vó Ecilda, fazia parte da família Pinheiro e, após 1978, veio a fazer parte da família Feio de Lemos também.
Em fins de 1972, em Caxias do Sul, mais precisamente no porão da Rua Inocente de Carli, 1085, nascia um cachorro de pelo branquinho com duas manchas em forma de número oito no dorso e uma em um dos olhos. Tratava-se de mais uma das ninhadas da cadela (sem ofensa) Dorotéia e do Rusti, o casal de guaipecas do Tio Raul (Raul Pinheiro).
Os pais
A Téia era bem miúda e de cor preta, com “óculos” amarelos e rabo de toquinho. O Rusti era do Ricard (Ricardo Pinheiro) e deve ter ganho esse nome por causa do seriado Rim-Tim-Tim, cujo herói era um cachorro pastor alemão e pertencia a um guri chamado Rusty, umas das grandes paixões do Ricardo Pinheiro quando criança.
Lembro ter ouvido sempre dos adultos que as crias eram cruza de “ratoneiro” com um outro nome de raça, provavelmente uma não identificada. Mais tarde vim a saber que o “ratoneiro” não era nada mais, nada menos, do que o atual Dachsund, ou salsicha (linguicinha, etc.) como todo mundo chama hoje em dia.
As ninhadas na Casa da Tia Maria
Os cães da família eram todos importados da Serra Gaúcha. Nasciam e cresciam fortes, amamentados pela (Doro)Téia e embalados por todas as crianças presentes. A cada ninhada da cadelinha, corriam as crianças (Cláudia, Ricardo, Marcus e Cristina) para o porão a pegar os cachorrinhos no colo, sob vigilância da pequena mãezinha, que, mesmo com os olhos tristes, nunca sequer rosnou para nós. A gente passava o tempo que podia “socado”(na linguagem das mães) no porão, brincando com as crias. Dávamos nomes para cada um deles e tentávamos adivinhar como seriam quando crescessem.
Claro que essa alegria durava pouco, ou porque a Tia Maria (Maria Dirce Pinheiro) aparecia e nos convencia a largar cada uma daquelas coisinhas fofas, ou porque um dos tios surgia e – sem mais explicações – levava os filhotes para onde bem entendiam, à revelia da nossa vontade. Às vezes até abaixo de uma certa choradeira.
Aliás, um dos mais fortes argumentos que a Tia Maria utilizava para nos fazer largar os bichinhos era que eles não podiam ficar tanto tempo no colo. A causa? “Porque se não pesteia”. E se pestear, ela dizia, o bichinho morre. E quem das crianças queria que eles morressem???
Assim, convencidos e um pouco culpados, saíamos do porão daquela casa mágica, com um maravilhoso cheiro de cachorrinho novo e com algumas (nomeu caso, muitas)pulgas na roupa.
O Banzé
Em uma dessas ninhadas, veio o Banzé com seu rabo de toquinho, como a mãe, mas de cor diferente de todos os outros. Veio trazido em uma caixinha de sapato, no colo da Vera Regina, e, se bem me lembro, desceu a Serra na cabine de um dos caminhões da Rápido Girardi, direto para a Assis Brasil.
A Vó Ecilda criou o Banzé com bastante carinho e logo ele foi se adaptando à rotina da casa. Desde pequeno, era o companheiro dela. No início do dia, ele acordava na sala – o Banzé nunca dormiu na rua, como os demais cães que a família havia tido – e ficava sentado na porta do quarto da Vó e do Vô. Ali ele permanecia, de olhos fixos na Vó e no movimento repetido de suas mãos, que rezavam o terço a cada manhã. Ao final da última conta, ele corria feliz para receber o bom dia da Vó, que sempre vinha após a oração.
O Banzé foi o cachorro mais bem educado que já conheci. “Pedia” com um chorinho baixo para sair e fazer as necessidades na rua e batia com a pata na porta dos fundos para entrar de volta na casa. Inverno o verão, a rotina era essa.
Ah, não vou encerrar sem contar o banho, ensinado pela Vera com o ritual seguido à risca até a velhice do “Die do Banza” como ele foi apelidado. Ela chamava o cachorro para o banheiro (sim, o banheiro), abria a cortina do box e dizia: “Banho, Banzé”. Ele murchava as orelhas, se encolhia um pouco e andava até a muretinha. Ali ele dava uma paradinha, verificava se ninguém havia mudado de ideia e aí pulava para dentro do box. A Vera passava sabonete (de gente) nas mãos (ou xampu, ou o que tivesse por ali de mais cheiroso) e ensaboava o coitado do cachorro repetidas vezes. Na última, ela dirigia o jato do chuveirinho em todo o corpo dele e enxaguava bem, até que ele ficasse bem branquinho, todo pingando. Então ela se punha de pé, conversando com ele para que ele não se sacudisse violentamente, atirando água para todos os lados, da mesma forma que fazem todos os cachorros. Fechava a cortina do box, dizendo: “Agora pode, Banzé, agora deu”. Para a alegria da gente que adorava o banho do cachorro e ficava cuidando cada movimento, o Banzé se sacudia várias vezes, saía de lá mais sequinho. Com sorte, eu podia também ajudar a secar, o que significava pegar a toalha (dele, bem limpinha) e ficar um tempo com ele no colo, devidamente autorizado, fazendo bastante carinho.
Como o Banzé acompanhou a família durante mais de 15 anos e mora no coração de muita gente, voltaremos a ele algumas vezes nesse blog.
Foto: Marcus com o Banzé filhote no colo, em frente à vitrine decorada para crianças das Lojas Renner do Passo D'Areia.
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Juarez, amigo e Fotógrafo, trouxe a fotografia para a vida do Marcus
Um dos fatos que vieram a marcar definitivamente as vidas da comunidade foi a abertura da ACM – Associação Cristã de Moços, ali, bem pertinho da gente, na Rua Santa Catarina. Em um primeiro momento, parecia apenas um clube e atraiu a curiosidade de todo mundo ao redor. A primeira na família a desvendar aqueles caminhos e começar a frequentar a ACM, foi a Rose. Empolgada com a novidade, comentou conosco sobre a cancha de esportes, sobre a presença permanente de professores, jogos abertos à comunidade e muita gente circulando por lá para fazer amizades.
A Rose sempre teve esse dom, o de fazer novas amizades com facilidade. Ela ia sempre lá para jogar Ping Pong e fez aquela propaganda. Veio também a notícia de que tinha piscina em algum lugar (que não era bem ali) o que já bastou para aguçar a curiosidade de todo mundo.
O Marcus foi logo em seguida, descobrir aquela coisa nova e bem mais perto do que o nosso querido Centro Comunitário Primeiro de Maio. A ACM abriu as portas na distância de meia quadra da casa da Vó Ecilda. Assim, convencidas as mães da importância do assunto, levamos os papéis e fizemos as carteirinhas da Associação Cristã de Moços, o que nos permitiria participar das atividades e frequentar as instalações, jogar nas canchas e ficar por dentro de tudo o que acontecia ali.
Assim, após a chegada do colégio, tirar o uniforme e comer alguma coisa, era imperativo passar a tarde por lá.
Foi ali que, jogando futebol de uniforme azul e com a meia de jogador até o joelho, a Rose me mostrou pela primeira vez o Juarez. Foi através do lance que rolou entre a Rose e o Juarez que ele veio a conhecer o Marcus e que nasceu uma amizade para a vida toda.
O Juarez trouxe uma nova perspectiva para o Marcus, que era de poucas palavras e sempre fechadão. A partir do jeito dele de ver o mundo, o Marcus amadureceu e aprendeu - e ensinou - coisas novas.
Fotos: Juarez e Marcus brincando de fotografia no contraluz na praia do Gasômetro, em Porto Alegre. Juarez Correa Machado Filho - ACM Zona Norte, julho 2011.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Recordação de Aniversário do Alemão
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| Foto cedida ao blog do Marcus pela Tia Marli Pinheiro |
Esta foto veio dos alfarrábios da Tia Marli e mostra um momento da família do Saul Pinheiro, entre amigos, comemorando o aniversário do filho Sandro Dal Bosco Pinheiro.
Da esquerda para a direita: em pé, Tia Sônia (visão parcial do rosto), Vó Ecilda com a pequena Silvana Dal Bosco Pinheiro no colo.
Não consegui identificar as outras duas adultas em pé, mas imagino que a da direita, da qual temos a visão parcial de um casado rosa, seja a Magda, grande amiga da familia e madrinha do aniversariante.
E, das crianças, o Sandro em destaque, sempre muito bonito aquele Alemão, completando três anos (acho, pelo tamanho da Silvana) e, do lado dele, acho que é Letícia, filha da Magda e do Catarina (Carlinhos), padrinho do Sandro e grande amigo do Tio Saul, também.
O fotógrafo deve ter sido o próprio Saul, o mais versado nestas artes fotográficas, como já mencionamos antes aqui no blog do Marcus.
Imagino que o local do aniversário tenha sido o apartamento em que eles moraram, ali na Dom Diogo de Souza, rua da faculdade São Judas Tadeu, onde moraram nos primeiros anos das crianças.
Em Santo Ângelo
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| Catedral de Santo Ângelo, Praça Pinheiro Machado - Fonte: Santo Ângelo 302 anos de história |
Acho que ninguém(ou muito poucos)sabe(m)que a família do Marcus morou um tempo no interior do Estado, mais precisamente na Região das Missões, em Santo Ângelo.
Em razão de uma oferta de trabalho ao pai dele, Mário Feio de Lemos, a família toda se tocou de mala e cuia para essa distância: 459 km de Porto Alegre.
Aqui no Rio Grande do Sul, antes de ser advogado, o pai dele, Mário atuou na VARIG, na área de compras, na década de 60, como Representante da Indústria de Alimentos Quaker e, muitas vezes, como vendedor.
Éramos pequenos e muito pouca coisa eu lembro em uma sequência que tenha lógica para poder contar aqui...
Sobre a mudança para Santo Ângelo, o Mário Feio e a Lena foram primeiro e, segundo minha lembrança, ficamos aos cuidados da Vó Ecilda, pela primeira, última e única vez.
Quem conhece(u) a Maria Helena sabe, ela não tinha por hábito deixar os filhos pequenos com alguém para ir fazer alguma coisa, especialmente com a Vó, a quem ela nunca queria dar trabalho. Ela sempre levava os filhos junto, ou, em caso de não poder levá-los, simplesmente deixava de ir.
Depois de terem encaminhado tudo por lá, voltaram para nos buscar.
A viagem a Santo Ângelo
Recordo que embarcamos à noite em um fusca branco e que pegamos a estrada. O Marcus com cerca de 6 anos e eu com 3, mesmo vestidos e com calçados nos pés, ganhamos nossos travesseiros e uma coberta por cima. Assim, acomodados, pegamos no sono confortavelmente lado a lado, dormíamos boa parte da viagem deitados de todo o comprimento no banco de trás.
Duas coisas que mais marcaram aquela viagem, e outras que fizemos de Porto Alegre a Santo Ângelo, foram o tempo da viagem (uma eternidade!) e as marcas da terra vermelha nos vidros do fusca.
Quando chovia, então, o carro começava a derrapar e dançar a parte traseira, enquanto espirrava para todos os lados aquela massa vermelho. Essa era a visão que eu tinha da viagem: o vidro traseiro do fusca no fundo escuro da noite, e a camada grossa de barro vermelho do lado de fora.
Não sei muito bem o tempo que a família passou por lá, imagino que chegou a um ano, talvez um pouco mais.
Foi a única vez em que a família Feio de Lemos morou em uma casa tão bonita e tão grande. Era uma casa chique, com dois andares.
Mais do que isso: era uma bela casa com sacadas, jardim e pátio. Foi a oportunidade em que a Lena e o Mário puderam oferecer um quarto individual para cada um dos filhos.
Foi nessa fase da vida do Marcus que ele conheceu o amigo que mais marcou a infância dele, o Aramin. Marcou a tal ponto, que depois de adulto, pesquisou na internet e tornou a voltar a Santo Ângelo algumas vezes, em busca de retomar aquela amizade que ele prezava tanto. Sobre o Aramin e sobre esse encontro, vamos contar em outro momento.
| Foto da Lembrança Escolar do Marcus, tirada na Escola em Santo Ângelo, 1971 |
Neste, voltemos ao fato de que lá o Marcus iniciou a vida escolar. Lá ele vestiu o uniforme da escola pela primeira vez (foto) e, de lá ele tinha uma recordação que conto agora:
Como em todas as cidades pequenas, existia uma praça no centro. E em torno dessa praça, aos domingos, passeavam as famílias para sua distração. Passeavam a pé e bem vestidos os moradores, moradoras e crianças, alguns por ali até passeavam de carro.
O Marcus tinha uma lembrança muito forte desse período em que vivemos lá em Santo Ângelo.
Ele já era um menino e possuía o seu próprio círculo de amigos, frequentando o jardim de infância e achava legal também fazer aquele trotoir na praça, aos domingos, para ver e ser visto.
Do que ele nunca mais esqueceu, e quem conviveu com ele pode imaginar o quanto isso pode ter sido marcante, foi que, apenas durante aquele (curto) período, em toda a sua infância, que os passeios puderam ser a bordo de um carro.
Ele era um dos poucos guris que tinham carro e (olha só), ele me disse que tinha o maior orgulho de ver a mãe dirigindo! Achava chique ter uma mãe motorista, diferente das outras.
Foto: Santo Ângelo 302 anos de história
Foto da colunata da Catedral de Santo Ângelo, Praça Pinheiro Machado, de Ander Vaz
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VARIG
quinta-feira, 16 de junho de 2011
O preço da bicicleta
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| Marcus e a bicicleta |
Todo mundo que conviveu com o Marcus sabe que ele torcia pelo Grêmio. Sim, como está descrito no perfil, ele era Gremista, e fanático.
Sem precisar ir a jogos ou andar fardado, mas, acima de tudo, ele não gostava do Inter. Não do “Internacional”, e sim do Colorado e de colorados. Isso mais do que tudo.
Por essa razão, fica difícil a todos os amigos e amigas imaginarem que ele um dia foi colorado. Foi convencido e praticou essa arte durante algum tempo. Abanou bandeira, foi ao Beira-Rio e tomou refresco colorido vendido no campo em garrafinha de plástico (dessa eu sou testemunha ocular).
A história do “lado colorado do Marcus” é simples e fez parte da formação da personalidade dele.
Tudo começou quando ele, e a irmã, eram pequenos, e por influência do pai.
Até agora já contamos (neste blog) que o Mário Feio, movido pela paixão e por algo mais, se tocou de lá de Fortaleza para conhecer a Lena e que o resto de suas vidas passaram aqui no Sul.
Em consequencia desse gesto e das condições em que vivíamos, jamais tivemos contato com a família (ou com a história) do nosso pai., salvo raríssimas exceções, de uma visita nossa lá e de umas visitas de uns tios aqui e acolá.
E, como não poderia deixar de ser, o Marcus nasceu e cresceu um Feio de Lemos entre Pinheiros e se tornou mais Pinheiro do que ele próprio imaginava. Por essa e por outras razões, era torcedor gremista como a maior parte dos homens da família, embora o culto ao futebol fosse bem menor na época da infância dele.
Cabe lembrar que essa nossa história se passa no início da década de 70 e que foram anos duros para o Grêmio Foot-Ball Portoalegrense. O Inter, ou melhor, o Colorado ganhava todas, ano após ano. Se essas vitórias, uma trás da outra, especialmente sobre o Grêmio, eram uma desolação para qualquer gremista, também fez crescer uma legião de colorados e de novos colorados. Foi assim que o Mário Feio, Pai do Marcus, veio para o RS e se tornou torcedor do Colorado. Foi assim, também, que ele veio com toda a sorte de propostas e ofertas para que os filhos se tornassem colorados também.
Com a irmã não foi nada difícil, já nasceu colorada e nem sabia a diferença, na verdade (pobrezinha).
Teve até uma vez em que ela esteve frente a frente com o Figueroa e – epa essa é outra história...
Voltando a vaca fria... o pai do Marcus – e o Inter, com as suas vitórias - vinham fechando o cerco em torno da ideia de virar colorado (isso é possível??? hehehe, brincadeirinha). Até que o Marcus, acho que ali pelos 6 ou 7 anos, quis uma bicicleta.
A vida naqueles tempos não era muito fácil e as bicicletas eram presentes bastante especiais. Dignos de serem ofertadas em datas mais especiais ainda, como nos dias do Natal ou do aniversário. E custava caro. Mesmo.
Para uma criança dos anos 70, no Brasil, ganhar presentes era raro e a gente tinha de passar por algumas coisas como a fase um: pedir o presente, fase dois: convencer os pais da necessidade do presente ser aquele mesmo (ainda mais tão caro como esse) e pela incrível fase três: esperar, esperar e esperar (quase) uma eternidade até chegar essa data em que fosse possível ganhar o presente.
Como vocês já adivinharam, num dado momento, o pai do Marcus acabou aceitando dar a ele a bicicleta que ele tanto sonhava. Só que, em troca, o Marcus teria de ficar colorado, só que a parte de ficar colorado vinha imediatamente.
O novo colorado tinha de provar que o coração tinha ficado vermelho para então mostrar ao pai que fazia jus ao presente que lhe fora prometido.
O Marcus, por fim, viveu a sua fase de torcedor colorado. Vestiu camiseta e comemorou os gols. Juntos visitamos o Beira-Rio para uma partida do Inter contra não-sei-quem, num distante domingo dos primeiros anos daquela era vermelha.
Convencido, e feliz, o Mário Feio atendeu ao pedido, isto é, deu a bicicleta ao filho. O Marcus ganhou de presente a sua Monark, ou melhor, uma Monaretta “dobramatic” vermelha.
Pelo sorriso na foto, dá para perceber que é sobre essa bicicleta dos sonhos que ele está apoiando o braço.
O final da história é mais simples do que o começo: realizado com o presente e sem precisar mais agradar o pai para atingir o objetivo, o Marcus deixou de ser colorado e voltou a ser gremista, de imediato, sem nenhum peso na consciência pelo artifício.
Dali a alguns anos, conseguiu até mesmo ajuda para pintar a bicicleta e colocou, de uma vez por todas, bem longe de si a cor vermelha. Para sempre.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
O maninho que a Lena trouxe não era igual ao irmão do Gilson... ou, O nascimento da irmã do Marcus
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| Com uma semana de vida, Cristina, irmã do Marcus, com a cicatriz do parto no rosto. |
Chovia muito em Porto Alegre. A tempestade já durava o dia todo e a noite caía junto com as gotas daquela chuva. Da janela do hospital Getúlio Vargas, a Maria Helena olhava para a rua e pensava: “Será que esse nenê nasce hoje?”.
Ela já estava lá desde domingo, dia 24 e já era terça, 26 de março de 1968. Ela nunca tinha gostado muito de hospitais e, afinal de contas, o filho estava em casa, sozinho, apenas com o pai, e ela não não confiava muito nele para cuidar do Marcus por tanto tempo.
Naquela manhã, enquanto estava sozinha no quarto, ela sentiu um movimento na barriga. O nenê costumava se mexer, é claro. Todavia, aquele movimento era diferente dos anteriores. Ela sentiu que o nenê se movera de um lado para o outro. Ela sentiu e foi baixando os olhos assustada: era possível perceber que o nenê - e tudo o que o envolvia - estava do lado esquerdo, isto é, o lado direito da barriga acabava de ficar vazio. “Será que está tudo bem?” pensou.
Essa preocupação permaneceu o dia inteiro, assim como a chuva lá fora.
O trabalho de parto já durava algumas horas e a dor também, embora ela não tivesse se queixado às enfermeiras.
Quando o céu escureceu por completo, a dor se espalhou e quase a deixou inconsciente.
No fundo, a Lena sentia que a maior dor seria sofrer tudo aquilo de novo, como havia sofrido para ter o primeiro filho.
De repente percebeu que estava em movimento, uma voz de mulher dizia para ela que estavam indo para uma sala, no bloco cirúrgico, que ficava em um outro andar. Entraram no elevador a maca com a Lena em trabalho de parto e mais duas pessoas.
Neste momento, a escuridão que estava lá fora invadiu o prédio todo. Havia faltado luz no bairro, na rua, em tudo, inclusive no Hospital Getúlio Vargas e o elevador parou, ali mesmo, entre dois andares.
Havia ainda um outro problema que a Lena só ficaria sabendo depois: todo o andar da maternidade estava interditado para uso, devido a uma dedetização. A paciente estava sendo levada a um outro andar.
As rádios de Porto Alegre deram a notícia: parturiente presa no elevador por falta de luz no bairro Independência e pediam à empresa que retornasse a energia para poderem tirá-la de lá.
Enquanto a luz não retornava, as providências vinham sendo tomadas. Naquele meio andar, a porta foi forçada e ela carregada por muitas mãos e braços - entre eles os do marido - para uma outra maca, até chegar na sala em que aconteceria, finalmente, o parto.
Logo na entrada, ela viu o rosto que a deixou mais calma: o do doutor Davi Gerschmann. O doutor Davi era médico conhecido da família e já atendia os Pinheiro(s) de longa data.
A Lena então se acalmou e depositou toda sua esperança naquele homem.
A dor era lancinante e as contrações do parto iam e vinham, não havia mais o que fazer, o negócio era esperar até a criança nascer.
A dilatação era suficiente, porém, algo não permitia que a criança enfim chegasse.
Mais um imprevisto estava por acontecer: na sala improvisada, a mesa em que estava a Maria Helena, não resistiu e se desmontou.
Naqueles poucos milésimos de segundo, a cabeça do nenê ficou muito próxima do chão. A queda daquela altura e o choque dos quadris da Lena e da cabeça do nenê fatalmente tiraria a vida dos dois.
Distante dali, na casa da Sônia, o Marcus, sem saber que quase perdia a mãe e o futuro mano, brincava com a Rose, na sala do apartamento da Rua Morretes.
Como herói dessa história verdadeira, estava o reflexo salvador do médico, doutor Davi. Foi ele quem percebeu que a mesa desmontara e ele quem colocou o braço sob a maca, segurando firmemente o peso da Lena até que fossem socorridos.
Restituída a calma a todos os presentes, a Lena retomou a consciência de que algo estava por acontecer.
Foi então que, após muito esforço, fizeram uso do fórceps. A cabeça do nenê foi encaixada entre os dois lados daquele instrumento “bico de pato” e os movimentos de meia rotação tiveram início. Tentaram por mais de 45 minutos, indiferentes às dores da Maria Helena que acompanhava aquela agitação ao seu redor, obviamente sem anestesia.
E a experiência do médico novamente teve papel determinante. Ele sugeriu que o movimento de rotação se iniciasse para o outro lado. Foi assim que, em vez de forçar o giro com o fórceps até o movimento ser bloqueado, a rotação permitiu que o corpo da criança se alinhasse e a cabeça e os ombros do nenê pudessem sair daquela incômoda posição.
O relógio marcava oito horas e quarenta e cinco minutos da noite de 26 de março e no colo da Lena foi colocada uma criança, viva, saudável, com uma cicatriz do fórceps no lado direito do rosto, como uma queimadura.
Antes de pegar no sono de tanto cansaço, a Lena pôde perceber que havia dado a luz a uma menina.
sábado, 28 de maio de 2011
O irmão do Gilson
Naquela nossa primeira casa, o apartamento da Travessa Jaguarão, havia um vizinho, um menino, amigo do Marcus, que frequentava a casa e de quem ele gostava muito, o Gilson. Foi um amigo do qual guardou memórias pela vida toda.
Parceiro desde os primeiros dias e companheiro de brincadeiras, o Gilson foi alguém que eu não conheci, mas de quem o Marcus tinha recordações incríveis.
Aliás, o Gilson tinha um diferencial: um irmão menor.
Aí é que está o grande lance: o irmão do Gilson.
Esse irmão também vinha lá em casa e participava das coisas que eles faziam. O irmão do Gilson brincava junto com eles. Segundo lembrava, era muito legal.
Aí, o destino pregou uma peça no Marcus: a Lena engravidou.
Na foto está o Marcus, feliz - sem camisa - com uma bola nova no quarto e 3 anos e meio de idade, isto é, foi bem nesse periodo em que a história da gravidez da Lena entrou na vida dele.
As explicações que vieram foram tais que a ideia de que uma criança estava sendo gerada lá na barriga da própria mãe, foi bem recebida, dentro de uma grande expectativa.
No fim daquele verão, mais precisamente no dia 26 de março, a mãe foi levada ao hospital.
O Marcus lembrava muito bem dos dias em que a mãe foi “buscar o maninho” no hospital, pois foi uma das poucas vezes em que ele ficou sozinho em casa só com o pai, Mário Feio.
Alguns dias depois, ela voltou. Ver a Lena foi uma grande alegria.
Afinal, a mãe havia voltado, agora ele também teria um irmão para brincar e tudo voltaria a ser como era antes.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Festa na casa dos Pinheiro. Casamento da irmã mais velha da Lena, madrinha do Marcus
Na foto está a Maria Helena Pinheiro (a Lena, mãe do Marcus) no frescor dos seus 16 anos - só completaria 17 anos em outubro. Estão também o Rui e a namorada Clarice, que viria a ser sua esposa e mãe do Celso André Pinheiro, logo em seguida. Escondidos lá por dentro e tratando de atender a todos na festa estão o Seu Joventino e a Dona Ecilda, donos da casa e primeiros na linhagem.
E não dá para dizer que o Marcus não estava também trabalhando por aí, pois é sabido que os noivos tiveram sua residência na Rua Morretes, ali, bem na dobrada da esquina da Assis Brasil e foi ali, naquela sala e naquele sofá que o Marcus viria a ser encomendado...
terça-feira, 24 de maio de 2011
Soninho da tarde no apartamento da Travessa Jaguarão

Todo mundo sabe que o Marcus não gostava muito de dormir. Sempre pulou da cama cedo.
Cedo? Não.
Pulava da cama antes que o sol nascesse, de preferência. Marcar um encontro, um compromisso ou um horário com ele era ter a certeza de que ele chegaria uma hora antes, no mínimo.E já estaria bastante irritado quando alguém, não tão pontual, chegasse 10 ou 15 minutos depois da hora marcada...
Bem, o que vamos contar aqui e com essa foto do berço dele no apartamento da Travessa Jaguarão é sobre o soninho da tarde. É normal aos bebês dormirem bastante. Mesmo após os dois, três anos, um soninho para crescer é uma boa pedida.
O Marcus me contou, mais de uma vez, que a Lena – provavelmente bem cansada do serviço da casa – deitava com ele para o soninho da tarde.
Ele lembrava que a Lena pegava no sono, ele não. Talvez tivesse muita pressa para viver. Não dormia, ficava quietinho ali, ao lado dela, até ter certeza de que ela dormia mesmo.
Então, levantava devagar e ia até o parapeito da janela – do terceiro andar, acho – e sentava ali. Isso mesmo, sentava como se fosse um cavalo, uma perna para fora, outra para dentro e cavalgava sozinho, sonhando acordado com as pessoas que caminhavam lá fora, na calçada.
Quando a Lena estava se acordando, ele voltava para cama ou para o chão, para brincar, sozinho e em silêncio. A mãe nunca viu nada, nem suspeitava. O guri, no dia seguinte, fazia tudo de novo.
E o perigo ia aumentando.
Ele contava que um dia, no meio de toda essa aventura ligada à janela e ao seu cavalo imaginário, ele acabou pegando no sono. E descrevia o sonho como se tivesse acontecido ontem. Aliás, o Marcus tem (tinha) uma memória... O sonho que ele me contou era isso: ele saía da cama, sentava na janela e colocava a perna para fora, começava a cavalgar e... caía. Caía mesmo.
No sonho ele caía de um modo tão assustador que ele, mesmo criança, entendeu o recado do perigo que vinha correndo todas as tardes. E, segundo ele me contou, bem sério, nunca mais sentou na janela do terceiro andar para montar a cavalo enquanto a Lena dormia...
Pátio da casa da Vó, jogando bolinha de gude... Dá para ver o inhaque da Rose?
O Marcus foi o terceiro neto na linhagem dos Pinheiro. A primeira neta da Dona Ecilda foi a Rosemary Pinheiro Kern.
Foi a primeira que nasceu, em abril de 1961, filha da Sônia Maria Pinheiro Kern e do Osmar Kern. Era afilhada da Lena (mãe do Marcus) e teve de esperar três longos anos até que ele nascesse, em junho de 1964.
A Rosemary (e ela gosta de ser chamada de [rosemarí] assim, com acento no "i"), não foi apenas a primeira na cronologia. Era a primeira no coração da Dona Ecilda também... a queridinha da Vó, embora as duas negassem isso a vida toda...
Mas isso é outra história!
O segundo neto foi o Celso André Pinheiro, filho do Rui e da Clarice Pinheiro, mas a proximidade da casa da Lena ou a magia da casa dos avós, fez com que a presença dos filhos da Lena na casa da Dona Ecilda fosse muito mais frequente que a dos demais.
Era uma rotina simples a da Maria Helena nesta época: moravam no apartamento, ali na Travessa Jaguarão, no Passo D'Areia (a primeira casa do Marcus) e vinham cedo para a casa da vó. Iam pela rua a Lena e o Marcus, normalmente de calçãozinho curto, feito em casa, e sem camisa, a pé e de mãos dadas. O Marcus, segundo me contou a Lena, certa vez, quando passava por uma fruteira que ficava no caminho, sempre pedia "Mãe, dá uma maçã?"
Mas eram tempos difíceis. A Lena nunca tinha o dinheiro para comprar... e, se acaso tivesse, não poderia se dar a esse luxo.
Todos os dias. Daí, já viu, né?
Passar ali e explicar a situação para o pequeno Marcus que, acho, nunca esqueceu a importância de uma maçã. Uma vez ele me contou que lembrava perfeitamente disso e que ia embora pensando no gosto que deveria ter aquela fruta... aquela ali que ficava exposta.
A Lena contava que uma moça que trabalhava ali ficava na porta, olhando aquele bebê (lindo, segundo a mãe)passar sem camisa, todos os dias e ficava admirando o guri, que pedia - e não chorava quando ouvia um não. A moça chegou a apelidar o Marcus de "o homem que não usava camisa"...
Por fim chegavam lá no numero 911 da Assis Brasil e cenas como a da foto eram comuns. Na foto, a Rose e o Marcus jogam bolinha de gude no fundo da casa da vó. Ao fundo, como não poderia deixar de ser, uma casa de cachorro, uma presença constante lá e que nos acompanhou por toda a infância. Não sei quem era o cão dono da casa, vou precisar da ajuda dos mais velhos, ou "da mais velha", no caso, a Rose (hehehe).
Continua depois...
domingo, 15 de maio de 2011
A primeira viagem de avião da Lena e “Minestrone”
![]() |
| Avião bimotor Electra, da VARIG, levou a Lena até o seu destino |
Após a confirmação do convite e a garantia do amigo Beneamin* (sic) de que a casa do amigo Mário Feio em Fortaleza era a de uma família respeitável, a Lena se preparou para atravessar o país e viver a sua história de amor.
Trabalhou muito e gastou pouco durante meses, até juntar o dinheiro necessário para as passagens. Não sei dizer exatamente em que dia e em que mês do ano de 1963 foi a viagem, apenas sei que a Lena embarcou seus sonhos e toda a sua curiosidade em um avião bimotor da VARIG, um electra.
No caminho, como dissemos antes, houve uma descida no Aeroporto de Brasília.
Depois de algum tempo, os passageiros do Voo VARIG foram avisados de que, por razões técnicas, deveriam passar a noite em um hotel, às expensas da companhia, e tornar a embarcar novamente com destino a Fortaleza no dia seguinte.
Naquela época, a recém inaugurada Capital Federal estava ainda encoberta por terra vermelha e com a presença do exército nas obras, porém, esbanjava glamour e tudo era novidade.
Talvez tenha sido a primeira em vez que a Maria Helena Pinheiro dormiria em um hotel, ainda mais tão longe de casa.
Seguramente era a primeira vez em que estava hospedada em um quarto de hotel com tanto luxo.
Com todas as despesas pagas, a Lena se viu diante de uma situação inusitada: o cardápio para escolher o jantar.
Essa história ela me contou rindo muito.
Havia muita coisa escrita naquele menu, muitos nomes de pratos, a maioria em língua estrangeira.
Ela, claro, teve vergonha de perguntar o que eram. Leu uma, duas vezes o cardápio e encontrou escrita a palavra “Minestrone”.
Parou e pensou que era alguma coisa chique, boa de se comer, afinal. Chamou o garçom, uniformizado e formal e disse: “Para mim, Minestrone”.
O garçom retornou um tempo depois, tempo suficiente para a Lena, com fome, imaginar que coisa gostosa estaria saboreando dali a pouco.
Quando abriu a tampa sobre a bandeja, ela descobriu o que havia pedido e saboreou, sem outra alternativa, Minestrone, ou seja, sopa de feijão!
E a futura mãe do Marcus e da Cristina seguiu viagem para o Nordeste no dia seguinte, pronta para conhecer seu admirador das cartas e dar início a nossa história.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
História do bairro Passo D`Areia
PASSO D’AREIA Bairro da zona norte da cidade, faz limites com os bairros São João e Higienópolis ao sul, e Cristo Redentor ao norte. Foi delimitado e oficializado pela lei municipal nº 2022 de 07/12/1959.
A história do Passo d’Areia está ligada ao desenvolvimento industrial e à urbanização de Porto Alegre, que se expandiu para a Zona Norte da cidade. Até a década de 1940, a população do bairro era escassa, e havia poucas casas ao longo da antiga Estrada do Passo d’Areia (parte da atual avenida Assis Brasil).
No início do século XX, o desenvolvimento em ritmo lento era uma característica comum dos arrabaldes mais distantes do centro da cidade, sobretudo em função dos transportes, que eram puxados por tração animal.
A implantação do transporte coletivo no final do século XIX, cujo terminal era junto à Igreja São João, motivou a ocupação da região. Mas, foi a partir de 1941 que o povoamento do bairro tornou-se mais efetivo: alguns autores destacam a enchente ocorrida naquele ano, como elemento motivador da ocupação das áreas livres das cheias dos arroios que percorrem Porto Alegre.
A construção da Vila dos Industriários – IAPI – com início das obras em 1946, sem dúvida mudou a configuração do bairro, no que diz respeito à urbanização. Projeto moderno e inovador para época, o Conjunto Residencial do Passo d’Areia tinha por objetivo atender às demandas de moradia para os trabalhadores das indústrias. Construído em uma área de 67 hectares, o empreendimento aumentou bastante a população do bairro, além de trazer melhorias na infra-estrutura, como transportes, água, energia elétrica e coleta de lixo.
Quanto às associações, situa-se no bairro o tradicional Sport Club São José, fundado em 1913. Outra entidade de representação no bairro é a Escola de Samba da União da Vila do IAPI, considerada a mais simpática do carnaval porto-alegrense. A escola foi fundada em 1980, e contou, entre seus fundadores, com antigos participantes do grupo humorístico “Os Tesouras”, que agitava a festa carnavalesca, quando ela acontecia nas ruas do bairro. As opções de lazer na região são variadas: há praças arborizadas, cancha de bocha, quadra poli-desportiva, o Largo Elis Regina e o Estádio Alim Pedro, bastante freqüentado pelos jovens do bairro e arredores. Nos limites ao norte do Passo d’Areia, está o Shopping Center Iguatemi, inaugurado em 1983, bem como o Bourbon Country, inaugurado em 2001. Atualmente, o Passo d’Areia é uma zona independente do centro da cidade, numa mistura de características residenciais e comerciais, possuindo algumas indústrias e dispondo de comércio e serviços variados, como escolas de ensino fundamental, médio e superior, que atendem tanto os moradores do bairro como dos arredores.
Referências bibliográficas: FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: Guia Histórico. 2º edição. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1992. MAIA, Sandra. Escolas de Samba e tribos do carnaval de Porto Alegre. Prefeitura Municipal de Porto Alegre/SMC, 2001. NUNES, Marion Kruse et all. Vila do IAPI. Porto Alegre: Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 2000. (Memória dos Bairros) SANHUDO, Ary Veiga. Porto Alegre: Crônicas da Minha cidade. Porto Alegre: Editora Movimento/Instituto Estadual do Livro,1975.
Fonte: Observatório de Porto Alegre
A história do Passo d’Areia está ligada ao desenvolvimento industrial e à urbanização de Porto Alegre, que se expandiu para a Zona Norte da cidade. Até a década de 1940, a população do bairro era escassa, e havia poucas casas ao longo da antiga Estrada do Passo d’Areia (parte da atual avenida Assis Brasil).
No início do século XX, o desenvolvimento em ritmo lento era uma característica comum dos arrabaldes mais distantes do centro da cidade, sobretudo em função dos transportes, que eram puxados por tração animal.
A implantação do transporte coletivo no final do século XIX, cujo terminal era junto à Igreja São João, motivou a ocupação da região. Mas, foi a partir de 1941 que o povoamento do bairro tornou-se mais efetivo: alguns autores destacam a enchente ocorrida naquele ano, como elemento motivador da ocupação das áreas livres das cheias dos arroios que percorrem Porto Alegre.
A construção da Vila dos Industriários – IAPI – com início das obras em 1946, sem dúvida mudou a configuração do bairro, no que diz respeito à urbanização. Projeto moderno e inovador para época, o Conjunto Residencial do Passo d’Areia tinha por objetivo atender às demandas de moradia para os trabalhadores das indústrias. Construído em uma área de 67 hectares, o empreendimento aumentou bastante a população do bairro, além de trazer melhorias na infra-estrutura, como transportes, água, energia elétrica e coleta de lixo.
Quanto às associações, situa-se no bairro o tradicional Sport Club São José, fundado em 1913. Outra entidade de representação no bairro é a Escola de Samba da União da Vila do IAPI, considerada a mais simpática do carnaval porto-alegrense. A escola foi fundada em 1980, e contou, entre seus fundadores, com antigos participantes do grupo humorístico “Os Tesouras”, que agitava a festa carnavalesca, quando ela acontecia nas ruas do bairro. As opções de lazer na região são variadas: há praças arborizadas, cancha de bocha, quadra poli-desportiva, o Largo Elis Regina e o Estádio Alim Pedro, bastante freqüentado pelos jovens do bairro e arredores. Nos limites ao norte do Passo d’Areia, está o Shopping Center Iguatemi, inaugurado em 1983, bem como o Bourbon Country, inaugurado em 2001. Atualmente, o Passo d’Areia é uma zona independente do centro da cidade, numa mistura de características residenciais e comerciais, possuindo algumas indústrias e dispondo de comércio e serviços variados, como escolas de ensino fundamental, médio e superior, que atendem tanto os moradores do bairro como dos arredores.
Referências bibliográficas: FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: Guia Histórico. 2º edição. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1992. MAIA, Sandra. Escolas de Samba e tribos do carnaval de Porto Alegre. Prefeitura Municipal de Porto Alegre/SMC, 2001. NUNES, Marion Kruse et all. Vila do IAPI. Porto Alegre: Unidade Editorial da Secretaria Municipal da Cultura, 2000. (Memória dos Bairros) SANHUDO, Ary Veiga. Porto Alegre: Crônicas da Minha cidade. Porto Alegre: Editora Movimento/Instituto Estadual do Livro,1975.
Fonte: Observatório de Porto Alegre
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