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terça-feira, 20 de março de 2012

Chevette, o Primeiro carro do Marcus

Marcus posa feliz com o carro, casa do Tio Raul, Caxias do Sul
Quando o Marcus comparceu à entrevista no laboratório e seguiu todas as regras previstas para passar nos testes impostos, além de comprar um terno às pressas e de a Lena lavar todas as noites a mesma e única camisa social para o trabalho no dia seguinte, também teve de adquirir um carro, obviamente, sem reunir condições financeiras para isso.

Pouca gente sabe dessa fase da vida do Marcus, pois foram lutas silenciosas que ele e a Lena travaram juntos, acordando muito cedo(muito mesmo) e conversando sobre os passos que seriam dados.
Ao ser confirmada a vaga no Laboratório Aché, o Marcus seguiu pela Avenida Assis Brasil, naquela região do Sarandi onde há várias revendas de carros e - só Deus sabe como - encaminhou os papeis para o financiamento do Chevette.
Aliás, mais do que isso: após assinar o contrato com prestações que comprometiam quase todo o futuro salário, o Marcus embarcou no carro e dirigiu para casa.

Pode parecer uma coisa simples, só que o mais importante não foi dito: apesar de várias aulas com o Seu Breno (Breno Rabello, grande figura, nosso vizinho, amigo e fã do Marcus) e algumas no fusca da Rose, o Marcus não sabia dirigir. Nunca tinha saído sozinho e não tinha carteira de motorista!

Lembro daquele final de tarde, em que o carro jazia parado na frente da casa, na meia-lua em frente a nossa casa no IAPI e que os adultos andavam em volta do carro e davam batidas nas costas do Marcus, todos rindo muito da insólita situação.

Me vem à memória o Tio Saul e ele conversando. O Marcus contava que, quando bicou o carro na entrada do Seu Breno (nunca tivemos entrada para automóveis na nossa casa, como tinha sido previsto pelo Vô Tinto, trinta anos antes), sentia as costas encharcadas com o suor do nervosismo em dirigir sozinho no trânsito da Volta do Guerino. Numa daquelas brincadeiras de Pinheiro, o Tio perguntou se ele também não tinha sentido "as calças cheias" quando entrou em casa...
O Tio Saul perguntou a ele por que não havia telefonado, pedido ajuda e ele teria ido buscar o carro para ele, várias pessoas disseram isso. Ora, para quem conheceu o Marcus, ou a Maria Helena, sabe que pedir ajuda estava fora de questão. Seria declarar impotência, ou alguma sorte de incompetência, não é mesmo?  e isso nunca nos foi ensinado.

Claro que, no novo emprego, ninguém sabia disso. Se não me engano, foi também o Alexandre, nosso primo, que levou o carro até a Polícia de Trânsito, lá na Avenida Ipiranga, para poder, finalmente, tirar a carteira, cerca de um mês depois desse evento. Ou seja, o Marcus saía para trabalhar todos os dias, nunca faltou a nenhum ponto de encontro, 8:00 da manhã e 13:30 da tarde, ia com o carrinho e voltava todas as tardes, porém, a carteira que o autorizaria a rodar o dia inteiro, só veio cerca de um mês depois.

Foto: Pelo sorriso do Marcus, acho que a fotógrafa foi a Claudia Maria Pinheiro, nossa prima, ou a Lena, numa Kodak 126, a câmera da época.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Juarez, amigo e Fotógrafo, trouxe a fotografia para a vida do Marcus




Um dos fatos que vieram a marcar definitivamente as vidas da comunidade foi a abertura da ACM – Associação Cristã de Moços, ali, bem pertinho da gente, na Rua Santa Catarina. Em um primeiro momento, parecia apenas um clube e atraiu a curiosidade de todo mundo ao redor. A primeira na família a desvendar aqueles caminhos e começar a frequentar a ACM, foi a Rose. Empolgada com a novidade, comentou conosco sobre a cancha de esportes, sobre a presença permanente de professores, jogos abertos à comunidade e muita gente circulando por lá para fazer amizades.
A Rose sempre teve esse dom, o de fazer novas amizades com facilidade. Ela ia sempre lá para jogar Ping Pong e fez aquela propaganda. Veio também a notícia de que tinha piscina em algum lugar (que não era bem ali) o que já bastou para aguçar a curiosidade de todo mundo.


O Marcus foi logo em seguida, descobrir aquela coisa nova e bem mais perto do que o nosso querido Centro Comunitário Primeiro de Maio. A ACM abriu as portas na distância de meia quadra da casa da Vó Ecilda. Assim, convencidas as mães da importância do assunto, levamos os papéis e fizemos as carteirinhas da Associação Cristã de Moços, o que nos permitiria participar das atividades e frequentar as instalações, jogar nas canchas e ficar por dentro de tudo o que acontecia ali.
Assim, após a chegada do colégio, tirar o uniforme e comer alguma coisa, era imperativo passar a tarde por lá.
Foi ali que, jogando futebol de uniforme azul e com a meia de jogador até o joelho, a Rose me mostrou pela primeira vez o Juarez. Foi através do lance que rolou entre a Rose e o Juarez que ele veio a conhecer o Marcus e que nasceu uma amizade para a vida toda.
O Juarez trouxe uma nova perspectiva para o Marcus, que era de poucas palavras e sempre fechadão. A partir do jeito dele de ver o mundo, o Marcus amadureceu e aprendeu - e ensinou - coisas novas.


Fotos: Juarez e Marcus brincando de fotografia no contraluz na praia do Gasômetro, em Porto Alegre. Juarez Correa Machado Filho - ACM Zona Norte, julho 2011.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Natal de 1961 na casa da Dona Ecilda e do Seu Joventino

Joventino, D. Ecilda, Rose no colo e Raul. O fotógrafo provavelmente fosse o Saul.

Embalados pelas festividades de final de ano, o Natal na casa da Dona Ecilda reunia todos os filhos e filhas e, ainda, muitos amigos e amigas da família.
Os filhos e filhas que entravam na juventude já saíam para trabalhar e ajudar nas despesas da casa. Na foto, o Raul Pinheiro, o mais velho, que depois viria a se transferir para Caxias do Sul, ao lado da Dona Ecilda e do Seu Joventino.
A criança era a Rosemary, vestindo um vestido de festa, presenteado pela madrinha Maria Helena, apreciava, sem os sapatos, o carinho do colo da avó e a boneca nova que ganhou de Natal.
Ainda há mais um rosto no canto da direita, que pode ser da Lena, do Renato ou da Vera Regina Pinheiro, irmãos menores.
O fotógrafo desse e de muitos outros momentos na família, provavelmente fosse o Saul Pinheiro, o primeiro de todos a se familiarizar com a máquina fotográfica e que captou diversos eventos destas nossas histórias.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Festa na casa dos Pinheiro. Casamento da irmã mais velha da Lena, madrinha do Marcus

Da esquerda para a direita: Rui Pinheiro e Clarice, os noivos Sônia e Osmar, a Lena (linda, com 16 anos) e o Godinho e namorada. Abaixo José Eli - padrinho de casamento e o filho José Eli Júnior, 18/04/1959
O ano era 1959, o mês era abril. A casa dos Pinheiro se abriu em festa para o primeiro casamento da família. A mais velha das três irmãs formalizava seu enlace com o noivo Osmar. Ainda não entrevistei a Sônia para buscar mais detalhes do acontecimento, tempo de namoro, noivado e tal. Invisível na foto, nem presente na barriga ainda, estava a Rose, trabalhando para que tudo acontecesse e ela pudesse vir ao mundo, dali a dois anos, exatamente, em abril de 1961.
Na foto está a Maria Helena Pinheiro (a Lena, mãe do Marcus) no frescor dos seus 16 anos - só completaria 17 anos em outubro.  Estão também o Rui e a namorada Clarice, que viria a ser sua esposa e mãe do Celso André Pinheiro, logo em seguida. Escondidos lá por dentro e tratando de atender a todos na festa estão o Seu Joventino e a Dona Ecilda, donos da casa e primeiros na linhagem.
E não dá para dizer que o Marcus não estava também trabalhando por aí, pois é sabido que os noivos tiveram sua residência na Rua Morretes, ali, bem na dobrada da esquina da Assis Brasil e foi ali, naquela sala e naquele sofá que o Marcus viria a ser encomendado...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Pátio da casa da Vó, jogando bolinha de gude... Dá para ver o inhaque da Rose?


O Marcus foi o terceiro neto na linhagem dos Pinheiro. A primeira neta da Dona Ecilda foi a Rosemary Pinheiro Kern.
Foi a primeira que nasceu, em abril de 1961, filha da Sônia Maria Pinheiro Kern e do Osmar Kern. Era afilhada da Lena (mãe do Marcus) e teve de esperar três longos anos até que ele nascesse, em junho de 1964.
A Rosemary (e ela gosta de ser chamada de [rosemarí] assim, com acento no "i"), não foi apenas a primeira na cronologia. Era a primeira no coração da Dona Ecilda também... a queridinha da Vó, embora as duas negassem isso a vida toda...
Mas isso é outra história!

O segundo neto foi o Celso André Pinheiro, filho do Rui e da Clarice Pinheiro, mas a proximidade da casa da Lena ou a magia da casa dos avós, fez com que a presença dos filhos da Lena na casa da Dona Ecilda fosse muito mais frequente que a dos demais.
Era uma rotina simples a da Maria Helena nesta época: moravam no apartamento, ali na Travessa Jaguarão, no Passo D'Areia (a primeira casa do Marcus) e vinham cedo para a casa da vó. Iam pela rua a Lena e o Marcus, normalmente de calçãozinho curto, feito em casa, e sem camisa, a pé e de mãos dadas. O Marcus, segundo me contou a Lena, certa vez, quando passava por uma fruteira que ficava no caminho, sempre pedia "Mãe, dá uma maçã?"
Mas eram tempos difíceis. A Lena nunca tinha o dinheiro para comprar... e, se acaso tivesse, não poderia se dar a esse luxo.
Todos os dias. Daí, já viu, né?
Passar ali e explicar a situação para o pequeno Marcus que, acho, nunca esqueceu a importância de uma maçã. Uma vez ele me contou que lembrava perfeitamente disso e que ia embora pensando no gosto que deveria ter aquela fruta... aquela ali que ficava exposta.
A Lena contava que uma moça que trabalhava ali ficava na porta, olhando aquele bebê (lindo, segundo a mãe)passar sem camisa, todos os dias e ficava admirando o guri, que pedia - e não chorava quando ouvia um não. A moça chegou a apelidar o Marcus de "o homem que não usava camisa"...

Por fim chegavam lá no numero 911 da Assis Brasil e cenas como a da foto eram comuns. Na foto, a Rose e o Marcus jogam bolinha de gude no fundo da casa da vó. Ao fundo, como não poderia deixar de ser, uma casa de cachorro, uma presença constante lá e que nos acompanhou por toda a infância. Não sei quem era o cão dono da casa, vou precisar da ajuda dos mais velhos, ou "da mais velha", no caso, a Rose (hehehe).
Continua depois...