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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Casamento de Joventino e Ecilda, ou do Tinto e da Cidoca


Na dedicatória do Joventino para a mãe, Vó Menta, datada de 18 de abril de 1934, uma terça-feira, casaram-se o Tinto e a Cidoca, em Caxias do Sul.
Essa foto ficava em destaque, na parede da casa da Vó, na Av. Assis Brasil, onde esteve pendurada durante toda a infância dos filhos e dos netos.

Certa vez, com toda a inocência possível de criança, lembro de ter perguntado à vó se, além do Vô e dela, que estavam na foto e eu reconhecia (apesar da passagem dos anos) o menino que aparecia abaixo dos dois seria o Tio Raul... Lembro que a Vó fechou a cara, me dirigiu um olhar muito severo e disse veementemente que não, sem me dar maiores explicações.
Logicamente, eu demorei muitos anos até entender o quão ofendida ela havia ficado por eu ter insinuado que o primeiro filho poderia ter vindo antes do casamento...

Verso da foto do casamento do Vô Tinto e Vó Ecilda, 1934

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Insubmisso






Existe um detalhe muito bonito e romântico, que tive notícia aconteceu na vida dos nossos avós, Joventino e Ecilda. Era o início do século XX, muitos eventos acontecendo em todo o mundo e no Brasil não era diferente.
Se os brasileiros dos dias atuais conhecem pouco de seus direitos e de seus deveres, imaginem o que sabiam os das três primeiras décadas do século passado.
Dito isto, voltamos de novo no tempo e lembramos que o Vô Joventino e a Vó Ecilda se conheceram pelas mãos da Tia Rola e que acabaram se apaixonando e casando, lá em Caxias do Sul, nos anos 30.
Da história me faltam alguns detalhes, os quais prometo buscar mais a fundo com aqueles que souberem um pouco mais e prometo contar aqui, logo que possível.

Bem, se não há muito o que contar a respeito da "casca", passemos então ao "miolo", que é o que me trouxe até aqui: o Joventino, Vô Tinto, não era mais do que um guri quando se casou com a bonita mulher por quem se apaixonou.
Convém lembrar que o Exército Brasileiro era diferente e regido por regras que hoje pareceriam um tanto absurdas. Convém lembrar, também, que não era do conhecimento do Joventino que, aos dezoito anos de idade, deveria se apresentar a um posto do Exército e se alistar para o serviço militar obrigatório. Não sabia e nem nunca lhe foi dito.
Logo nos primeiro anos de vida em comum, os filhos foram chegando: o Raul, o Saul, a Sônia Maria... A Dona Ecilda trabalhava de sol a sol para prover a educação, a limpeza e o alimento de toda a trupe e o Seu Joventino batalhava com a armas que tinha, de homem da época, para o sustento da família.
Os anos, assim, se passaram e as coisas aconteceram de maneira bastante rápida: em um belo dia, o Jeep do exército encostou diante da casa dos Pinheiro e desceram uns homens uniformizados, trazendo nas mãos um papel que, segundo eles, mandava levarem consigo, preso, o Sr. Joventino "Zito" Pinheiro.
Apesar do pânico e do nervosismo da esposa e dos filhos, levaram preso o pai daquela família para que, segundo a lei, cumprisse a suas obrigações de brasileiro. Mesmo com filhos pequenos (e, se não me engano, com mais um a caminho), o Vô Tinto foi levado para o alistamento obrigatório, ou seja, foi preso e conduzido para servir ao Exército Brasileiro, na condição de "Insubmisso" por não ter se apresentado voluntariamente na idade devida.
Para agravar ainda mais a situação, foi prestar o seu serviço à pátria bem longe de casa.
Desse período doído e que deve ter sido extremamente sofrido a todos, há um registro muito bonito, que acompanha a família desde aquela época, uma verdadeira preciosidade: uma carta que o Joventino escreveu para a esposa Ecilda, enquanto estava no serviço militar.

O Vô Tinto e o Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul

O time do Juventude na década de 30. O segundo da fileira de trás, em pé e sem touca, é Joventino Zito Pinheiro, em Caxias do Sul
Esporte Clube Juventude foi a primeira experiência do Joventino no mundo





Da esquerda para a direita, o sexto homem, magro e retraído, Joventino Pinheiro, usando a touca que virou a sua marca registrada

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Natal de 1961 na casa da Dona Ecilda e do Seu Joventino

Joventino, D. Ecilda, Rose no colo e Raul. O fotógrafo provavelmente fosse o Saul.

Embalados pelas festividades de final de ano, o Natal na casa da Dona Ecilda reunia todos os filhos e filhas e, ainda, muitos amigos e amigas da família.
Os filhos e filhas que entravam na juventude já saíam para trabalhar e ajudar nas despesas da casa. Na foto, o Raul Pinheiro, o mais velho, que depois viria a se transferir para Caxias do Sul, ao lado da Dona Ecilda e do Seu Joventino.
A criança era a Rosemary, vestindo um vestido de festa, presenteado pela madrinha Maria Helena, apreciava, sem os sapatos, o carinho do colo da avó e a boneca nova que ganhou de Natal.
Ainda há mais um rosto no canto da direita, que pode ser da Lena, do Renato ou da Vera Regina Pinheiro, irmãos menores.
O fotógrafo desse e de muitos outros momentos na família, provavelmente fosse o Saul Pinheiro, o primeiro de todos a se familiarizar com a máquina fotográfica e que captou diversos eventos destas nossas histórias.

domingo, 1 de maio de 2011

O começo de tudo...


Mário Feio de Lemos, aquele que viria a ser o Pai do Marcus
 Este é o começo da história e começa alguns anos antes do Marcus nascer. Conta um pouco da (nossa) história e dos movimentos que o universo fez para que o Marcus nascesse.

Maria Helena Pinheiro, a irmã do meio dos 9 filhos da Dona Ecilda Flores Pinheiro e do Seu Joventino "Zito" Pinheiro era jovem e bonita. Comos os demais irmãos, 6 homens (Raul Pinheiro, Saul Pinheiro, Rui Pinheiro, José Jones Pinheiro, Roberto Pinheiro e Renato Pinheiro) e 2 mulheres (Sônia Maria Pinheiro e Vera Regina Pinheiro), trabalhou desde guria. Aos 13 anos, a Lena já trabalhava no escritório de Contabilidade do Idelmar Felipe Albrecht, na esquina da Avenida Brasil com a Benjamin Constant.

Maria Helena, aqui com 13 anos, um dia viria a ser a Mãe do Marcus

Dentre aqueles que frequentavam a casa da Dona Ecilda, estava um grande amigo do Saul, funcionário da VARIG, Beneamin *(sic), o qual viajava pelo país e trazia histórias para contar. Numa dessas andanças pelo Nordeste, mais precisamente em Fortaleza, no Ceará, conheceu um rapaz de vinte e poucos anos, filho de Christalina Lemos e de Mário Feio de Lemos, aquele que viria a ser o pai do Marcus um dia, Mário Feio de Lemos Júnior.
Uma vez estimulada a curiosidade dos dois jovens a respeito de um e do outro, passaram a se corresponder e, da troca de cartas, veio a necessidade de se conhecer. Assim, das economias da Lena saiu a passagem aérea até Fortaleza (embarcada no duas hélices Elektra - mas essa é outra historia) e, mesmo tendo nascido em diferentes extremos do país, iniciaram o namoro.
O ano era 1963 e, numa das visitas do Mário Feio ao Rio Grande do Sul, mais precisamente no apartamento da Morretes onde moravam a Sônia, o Osmar e a Rosemary (aqui também rende uma oooooutra história), ficou traçado o destino da Lena e do Mário e, num encontro mais tórrido, Deus disse: FIAT MARCUS.