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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Paixão pelo Volante, desde a infância

Marcus pilotando na SPASSO


Para quem teve o prazer de conviver com o Marcus e o de sentar ao lado dele atrás de um volante, vai entender perfeitamente o que vamos falar aqui: uma das grandes paixões dele era(é) o automóvel.

Apaixonado desde pequeno pelo Speed Racer, um desenho animado japonês, ele acompanhava o seriado, desde a musiquinha de abertura até a máxima fidelidade, isto é, assistia até o final a todos os episódios, mesmo repetidos.
Para o Marcus, o Mach 5 não era apenas um carro. Ele tinha vida própria e personalidade, poderia interagir com ele. Ele enchia a boca e fala "Mééééétchhhhh cinco"...
Em várias ocasiões, era possível encontrar desenhos do carro do personagem Speed Racer, o fabuloso Mach 5, nos cadernos escolares do Marcus.
Para quem não via o desenho: o carro saltava, andava sobre duas rodas e protegia sempre o piloto de qualquer acidente. Uma perfeição!!!
Ele desenhava super bem e analisava cada detalhe, a ponto de reproduzir muito bem o carro. E não eram poucas ilustrações. Havia desenhos do Mach 5 de frente, de visão lateral, de sobrevoo, da traseira e do próprio cockpit, alguns até do ponto de vista do piloto, com as mãos na direção.
O Mach 5
O carro, indiscutivelmente, levava o Marcus à loucura, sem exageros. Ele tem (teve) o brinquedo Autorama da Estrela, guardado a sete chaves, em perfeitas condições. Nas nossas corridas de velocidade, mesmo que o carrinho dele fosse azul e quadrado, atendia pelo nome de “Mach 5” (o meu era um Porsche vermelho, descobri recentemente).


Ele gostava de dirigir, de estar dentro de um carro e das máquinas, em geral. Não foi difícil a ele se relacionar com os compressores e com a manutenção industrial, quando concebeu e montou a SPASSO Compressores, primeiro apenas um número de telefone e a entrega de peças, depois o aluguel da sala no Centro de Porto Alegre, na Júlio de Castilhos e, por fim, a enorme sede de dois andares na Rua São Nicolau, 903 e aquisição do terreno no Distrito Industrial de Cachoeirinha.

Claro, não se pode esquecer que a presença do Renato Pinheiro foi vital nesse processo. Foi o Renato que despertou nele essa ansiedade de conhecer e mexer nas máquinas e, sem dúvida, foi a ponte do Marcus para Terabítia.

Na foto que ilustra esse blog, além da imagem do próprio herói Speed Racer, como piloto de corridas e do carro, o Mach 5, está o Marcus executando um dos trabalhos mais prazerosos que a SPASSO fez: a manutenção do compressor de uma empresa de brinquedos, simulador de corridas de automóvel.

Um pouco antes de deixar o corpo físico aqui na terra, tive o imenso privilégio de ver o brilho nos olhos dele quando puxei o assunto do então recente lançamento do filme Speed Racer. Foi como um jato de fluido, de energia vital mesmo!. Ele se sentou no sofá, pegou as revistas que eu levei sobre o assunto e tagarelamos alegremente um bom tempo.
Ficou feliz e planejando o dia em que iria ao cinema assistir o filme Speed Racer e, também, com a mesma empolgação, ao filme do Homem de Ferro (Ironman).

sexta-feira, 13 de maio de 2011

13 anos depois...

Na década de 70, quando a família Feio de Lemos morava na Rua Júlio Verne, o Mário Feio decidiu que  a vida de marido, de pai de família e de viajante não exatamente era aquilo com o que ele havia sonhado desde "rapazote" (como ele diria). O fato é que ele se cansou de toda essa rotina enfadonha e, numa manhã do inverno, acordou, levou a filha menor, Cristina, ao Colégio Júlio Grau, para mais um dia no jardim de infância e seguiu para trabalhar.
E nunca mais voltou.
Nem para buscar suas roupas, nem para visitar os filhos, sequer para contar a sua versão da história.
Lembrando do Marcus e do seu jeito sisudo como pai, dá para imaginar o estrago que essa atitude fez na personalidade dele.
Aquele pai amigo, que inventava grandes empreitadas em construir minuciosamente as pandorgas, nas noites de verão, que assava um ou outro churrasco com a maior lentidão desse mundo e que enchia o prato de pimenta a cada refeição, se foi.
Não era uma viagem, das muitas que ele fez em toda a vida da família Feio de Lemos. Não era uma ausência pequena, nem um até logo. Foi um adeus, só que sem nenhuma despedida.
Num certo momento, quando o Marcus conversava comigo (na empresa que ele comandava, a SPASSO - essa é outra história), nos idos de 1991, comentou que foi essa a maior indignação dele com o Mário: o fato muito simples de ele não ter tido o cuidado de olhar na direção dele (filho) e ver o quanto isso afetaria a vida de um menino de 11 anos...
Não foi sem antes deixar a única e decisiva marca que nos perseguiu (a nós, os filhos do casal) durante anos. Numa discussão com a Lena, no calor do momento, entre muitos dos argumentos que ela tentava usar para dissuadí-lo de abandonar a família, ela perguntou: "Mas Mário, e as crianças?" e ele respondeu indignado "Bota num orfanato!".

Esse foi um dos - poucos - detalhes acerca do casamento de tantos anos que a Maria Helena contou para nós, ou para mim, pelo menos.
E esse é o relato da dolorosa separação do casal que se casou de modo tão pomposo em 1964.
Logicamente que a Vera deve saber muuuuuito mais, mas, por fidelidade,  nunca nos contou.
A Sônia também deve saber mais. Todos souberam muito tempo depois.

A necessidade já havia entrado na casa da família, a fome e a falta de emprego - e de salário -  vinham assombrando o casal há meses (anos talvez, eu nunca soube).
Os aluguéis da bela casa de dois quartos na Júlio Verne, com pátio, 2 cachorros e com vizinha nos fundos, estava atrasado há mais de 6 meses.
 E dessa forma, com muita vergonha da situação de separada, a Maria Helena ganhou o mundo a procurar emprego, depois de mais de 12 anos sem trabalhar fora de casa.

Foi, saiu a pé. A pé e de chinelos de dedo da marca Havaianas (seu único calçado). Passou a sair todas as manhãs a procurar um sustento para os filhos e para colocar, como ela dizia anos depois "pelo menos um grão de arroz nas latas".
Sem roupas novas para melhorar a apresentação, carregando o peso de não contar toda a verdade a quem ela se apresentava, encontrou um modo de se sustentar. Primeiro, conseguiu umas "escritas contábeis" para fazer em casa, depois na Metalúrigca Aço Técnica (na Av. Polônia) e, depois, na Lideroil do Brasil Ltda. (primeiro na 7 de abril, depois na fábrica de Gravataí e na Santos Dumont, em Porto Alegre).